Economia dos EUA sofreria com deportações em massa

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Segundo pesquisa, perda seria de U$1,7 bilhões por ano

Um estudo conduzido por economistas, advogados e empresários mostrou que a situação econômica dos Estados Unidos sofrerá um colapso se forem deportados do país os cerca de oito milhões de trabalhadores indocumentados. A pesquisa, apresentada pelo grupo ‘Americanos pela Reforma Imigratória’ e intitulada ‘Um recurso essencial’, será encaminhada para os candidatos à presidência John McCain e Barack Obama.

A situação hipotética de deportação em massa provocaria, segundo Ray Perryman, o principal responsável pelo estudo, uma perda de 1,7
bilhões de dólares anuais no Produto Interno Bruto (PIB) nacional e no consumo. “A detenção e deportação dos indocumentados não vão resolver o problema da economia norteamericana.

O que o país necessita é de uma reforma imigratória justa”, afirmou Parryman.

‘Baby boomers’

Para fundamentar sua opinião, o economista lembrou que os ‘baby boomers’, geração que nasceu depois da Segunda Guerra Mundial e
que representa a força intelectual e laboral dos últimos 30 anos, estão se aposentando e não poderão ser substituídos como antes. Mesmo assim, o preconceito contra o imigrante é grande. Um dado surpreendente, também contido no estudo, ajuda a explicar a intolerância: na década de 60, os residentes em situação legal somavam mais de 50% da população e os chamados subempregos acabaram sendo ocupados pelos indocumentados. Atualmente, porém, o percentual de americanos ou residentes sem especialização atinge quase 90%, o
que acirra a briga no mercado de trabalho.

‘Americanos pela Reforma Imigratória’

Outro integrante do grupo ‘Americanos pela Reforma Imigratória’, o advogado Alberto Cárdenas, ressaltou que a utilização de mão-de-obra indocumentada é utilizada em todo o país e não apenas nos estados fronteiriços. Esse fato é, inclusive, destacado na pesquisa, que comprovou que os imigrantes em situação ilegal representam pelo menos 5% da força de trabalho na maioria dos estados americanos, sendo que em muitos deles – Arizona, Califórnia, Flórida, Illinois, New Jersey, Nova York e Texas, por exemplo – o contingente de indocumentados é bem maior. As áreas com maior número de indocumentados são nos setores de serviços, construção civil e agricultura.

A esperança do grupo é que a próxima administração entenda a importância dos imigrantes na engrenagem econômica do país. Para tanto, cópias do estudo serão enviadas aos candidatos republicano e democrata, os senadores John McCain e Barack Obama, respectivamente.

Mas, mesmo assim, muitos integrantes da associação ainda acreditam que a aprovação de uma lei que favoreça aos imigrantes será aprovada ainda no governo Bush.