Efeito dominó contra imigrantes

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Depois de Oklahoma, outros sete estados querem leis contra indocumentados

O primeiro passo foi dado por Oklahoma, que aprovou a lei antiimigrante mais completa do país. Agora os congressistas de pelo menos oito outros estados estão propondo medidas para frear a imigração ilegal e pressionar os indocumentados que já estão na América a deixar o país. Ao todo foram mais de 350 propostas relacionadas ao tema desde o início do ano.

Até na Flórida, local que sempre foi aberto a receber imigrantes, os parlamentares já apresentaram mais de dez projetos de lei desfavoráveis aos imigrantes, em janeiro e fevereiro deste ano. Especialistas, porém, acreditam que poucas destas leis serão efetivamente colocadas em prática, sendo que algumas delas já foram rechaçadas pouco depois de apresentadas. O efeito dominó deve sucumbir à opinião pública.
A lei de Oklahoma, aprovada em 2007, restringe o acesso dos imigrantes a carteiras de motoristas e outros documentos de identidade, limita os benefícios do setor público a este grupo, penaliza os empregadores que contratarem indocumentados e ainda fortalece os laços de atuação entre as autoridades federais de imigração e a polícia local.

Na Virgínia, por exemplo, de 100 propostas formuladas a partir de janeiro, apenas três ainda serão discutidas em sessões futuras. Os representantes argumentam que precisam analisar se as medidas precisam ser tomadas agora ou se podem aguardar os próximos passos do governo federal – mas para os comentaristas políticos está claro que ninguém quer assumir uma postura mais enfática contra os imigrantes em pleno ano eleitoral.

O maior responsável por esta enxurrada de propostas é o Congresso americano, acredita o advogado Sharma Hammond, que é consultor do governo neste tema. “A falta de uma solução para o problema acabou fazendo com que o estados decidissem tomar suas próprias decisões”, disse Hammond, que apóia qualquer tipo de medida para acabar com a imigração ilegal nos Estados Unidos.
Outro fator que está impedindo a aplicação das leis é o financeiro: questões como a guerra do Iraque e a possível recessão no país são encaradas como as prioridades por parte da população americana. Além disso, John Trasvina, presidente do Fundo de Defesa Legal e Educação entre México e EUA, acredita também que o sentimento antiimigração está esfriando. Prova disso é a intenção dos três candidatos à presidência em lutar pela legalização de mais de 12 milhões de indocumentados que vivem no país.

Tolerância Zero na fronteira

Segurança será reforçada para evitar entrada de novos imigrantes nos EUA

A Patrulha da Fronteira anunciou que vai ampliar a segurança no Texas e Novo México para evitar a entrada de novos imigrantes nos Estados Unidos. De acordo com Doug Mosier, porta-voz da ‘Border Patrol’, o novo esquema será de “tolerância zero” aos indocumentados, pois todos os detidos em situação irregular serão fichados e impedidos de voltar aos EUA por pelo menos cinco anos, como já acontece no Arizona.

As ameaças foram além: quem for apanhado tentando entrar no país depois de uma deportação sofrerá penas ainda mais graves. “O objetivo é mostrar aos imigrantes que não vamos mais admitir esse tipo de irregularidade”, afirmou Mosier, acrescentando que a nova medida acaba com a prática que vinha permitindo aos mexicanos o retorno à terra natal de forma voluntária sem que fossem fichados pela polícia da fronteira.

Um jornal de Tucson, Arizona, revelou que a Corte federal que cuida dos casos de imigrantes detidos naquela cidade está abarrotada, com atraso em pelo menos 757 processos desde 14 de janeiro, quando entrou em vigor o esquema de ‘tolerância zero’ na fronteira daquele estado. Lá são julgados cerca de 42 casos de indocumentados diariamente, mas o ideal seria que os juízes analisassem 100 processos todos os dias, para colocar em dia o trabalho.

Até serem julgados, os imigrantes permanecem em cadeias comuns, o que gerou críticas do governo mexicano: “As autoridades federais tratam os imigrantes como criminosos”, reclamou o cônsul do México em Tucson, Juan Manuel Calderón. Para se ter uma idéia da quantidade de indocumentados presos, basta dizer que no primeiro mês de aplicação do programa, 757 deles foram sentenciados pelo cruzamento ilegal da fronteira.