Efeito genético ‘liga poluição a doenças cardíacas’

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Folha de S. Paulo
Cientistas querem explicar relação entre poluição e doenças cardíacas
Cientistas americanos indicaram que um efeito genético está por trás da relação entre a fumaça emitida por veículos e o risco de doenças cardíacas.
Um estudo publicado na revista científica Genome Biology diz que a poluição ambiental se combina com a gordura nas artérias para elevar a tendência ao desenvolvimento de arteriosclerose – espessamento e endurecimento da parede arterial.

A equipe da Universidade de Los Angeles, na Califórnia, expôs células das paredes arteriais tanto a partículas de gases emitidos pela combustão de diesel quanto à gordura encontrada no LDL, o “colesterol ruim” que causa o bloqueio das artérias.

Eles perceberam que um conjunto de genes ligados ao desenvolvimento de arteriosclerose foi ativado nos dois casos.

Mas o efeito foi maior quando as células foram expostas à poluição e ao colesterol ao mesmo tempo.

Para confirmar os resultados, os pesquisadores expuseram ratos com altos níveis de colesterol às partículas de poluição e notaram o mesmo efeito genético.

“A combinação (da fumaça de diesel e de colesterol) cria uma sinergia poderosa que destrói as artérias muito além do que um dos fatores faria isoladamente”, disse o pesquisador que coordenou o estudo, André Nel.

Razões

Outros estudos analisando a relação entre poluição e doenças cardíacas vêm sendo conduzidos em outras linhas.

Em fevereiro deste ano, uma pesquisa da Universidade de Washington observou que a chance de doenças cardíacas em mulheres saudáveis aumentava 76% para cada aumento de 10 microgramas por metro cúbico no nível de poluentes no ar.

Já a morte por doenças cardiopulmonares crescia 6% para a mesma elevação do nível dos poluentes, em experimentos separados feitos pela Sociedade Americana de Câncer.

No artigo publicado na Genome Biology, os pesquisadores disseram que novos estudos são necessários para determinar exatamente como a poluição é capaz de potencializar os efeitos negativos da gordura no LDL.

“Sabemos que os poluentes são normalmente revestidos de um número de substâncias químicas que prejudicam o tecido”, disse Nel.

“A inflamação vascular, por usa vez, leva a depósitos de colesterol que entopem as artérias, o que pode elevar o risco de ataques cardíacos e enfartes.”

Uma porta-voz da Fundação Britânica para o Coração, Cathy Ross, recomendou que pacientes com problemas crônicos de artérias coronárias evitem a exposição exagerada à poluição.

“Para a maioria das pessoas, adotar uma dieta com pouca gordura saturada e fazer exercícios físicos terá mais impactos na redução do risco de doenças cardíacas”, ela afirmou.

“Mas pessoas com problemas crônicos de pulmão e de artérias coronárias devem evitar passar muito tempo na rua quando os níveis de poluição estiverem altos.”