Eleição nos EUA não afeta Rodada de Doha, diz americana

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A afirmação, surpreendente, é da representante de Comércio dos Estados Unidos, Susan Schwab
Denise Chrispim Marin

A representante de Comércio dos Estados Unidos, Susan Schwab, declarou que as eleições para o Congresso americano, em novembro, “não têm impacto sobre a Rodada Doha” da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Schwab fez essa observação depois de um encontro reservado com o ministro da Agricultura do Japão, Shoichi Nakagawa, e pouco antes de ingressar na reunião do G-20 e de cinco agrupamentos de países em desenvolvimento da OMC – a razão que a levou ao Rio de Janeiro no último final de semana.

“Nós sempre soubemos que, se há um acordo da Rodada, o Congresso estará afinado conosco”, afirmou Schwab. “Ninguém espera que a Rodada será retomada em 24 horas. Temos de dar um passo de cada vez. Temos vários meses adiante para chegar a uma convergência entre nós (negociadores).”

A declaração de Schwab surpreendeu por duas razões. A primeira, porque existe um consenso entre todos os principais parceiros da OMC de que a Rodada está travada porque não há como o Executivo americano apresentar uma nova proposta de corte de subsídios a seus agricultores em um período eleitoral, dada a força dos lobbies agrícolas no país.

A segunda razão está no fato de que caberá ao Congresso americano que será eleito em novembro decidir se prorrogará ou não o mandato para que o Executivo feche acordos comerciais, sem chances de alterações no documento durante a tramitação no Legislativo – o chamado Trade Promotion Authority ou “fast-track”.

No final de julho, logo depois da suspensão da Rodada Doha, Schwab encontrou-se com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, no Rio de Janeiro, e admitiu que os dois partidos dominantes no Congresso americano – Democrata e Republicano – estão comprometidos com a conclusão da Rodada. Naquela ocasião, considerou possível a prorrogação do fast-track, o que abriria uma chance para a retomada das negociações entre março e abril de 2007. A mesma hipótese foi reconhecida por Amorim.

No sábado, o comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, apresentou ao Estado a mesma expectativa. Mas afirmou que ela foi traçada pela própria Schwab. Nesta manhã, o G-20 e os cinco outros grupos debateram a Rodada com Nakagawa, Schwab e Mandelson. À tarde, Amorim terá reuniões bilaterais com cada um deles.