Em novo áudio, Al Qaeda no Iraque ameaça atacar Casa Branca

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A Al Qaeda no Iraque ameaçou atacar a Casa Branca em uma gravação de áudio divulgada nesta sexta-feira na internet. Na fita, o líder do grupo diz que a rede terrorista ainda não derrubou “sangue suficiente” e não parará enquanto não atacar os EUA e retomar Jerusalém.

“Nós não descansaremos enquanto não estivermos debaixo das oliveiras de Rumieh e não tivermos destruído aquela casa vil a qual chamam de Casa Branca”, diz uma voz atribuída a Abu Hamza al Muhajir –conhecido como Abu Ayyub al Masri, líder da rede no Iraque.

As “oliveiras de Rumieh” seriam uma alusão ao Monte das Oliveiras, em Jerusalém.

Líder da Al Qaeda no Iraque ameaça Casa Branca

Na gravação, o líder também qualifica o presidente americano, George W. Bush, de “o presidente mais estúpido da história dos EUA” e faz críticas ao secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, que pediu afastamento do cargo na última quarta-feira (8).

“Eu digo para o governo americano: não se apresse para escapar como fez seu ministro da Defesa (…) fique no campo de batalha”, diz a suposta voz de Al Masri, que assumiu a liderança da rede no Iraque após a morte do jordaniano Abu Musab al Zarqawi, em junho último.

Segundo o líder terrorista, a Al Qaeda conta com 12 mil terroristas armados e outros 10 mil aguardando para serem equipados para atacar alvos americanos no Iraque.

A autenticidade da gravação de áudio, com duração de cerca de 20 minutos, não pode ser comprovada.

Rumsfeld

Atingido pela derrota dos republicanos na Câmara e no Senado dos EUA, o presidente americano, George W. Bush, afirmou que Rumsfeld renunciou porque é preciso “uma nova perspectiva no Iraque”. Bush disse ontem que está aberto a “sugestões” sobre os novos rumos da guerra no país árabe. Ele reafirmou publicamente que a vitória é possível no Iraque.

Reuters

O secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld
Especula-se que a saída de Rumsfeld, que deverá ser substituído pelo ex-diretor da CIA (agência de inteligência americana) Robert Gates, foi uma estratégia para preparar o caminho para uma retirada gradual das tropas americanas do Iraque.

Segundo o chefe de Estado-Maior dos EUA, Peter Pace, líderes militares dos EUA se preparam para empreender mudanças na estratégia americana no Iraque após a saída de Rumsfeld.

“Queremos rever o que está funcionando e o que não está, quais são os impedimentos para o progresso e o que deve mudar, para ter certeza de que alcançaremos nosso objetivo”, disse.

Novos rumos

A expectativa nos EUA é que a nova liderança congressista do Partido Democrata, que venceu as eleições legislativas da última terça-feira (7), exerça maior pressão sobre Bush com relação ao Iraque.

O conflito no Iraque foi apontado por especialistas como o principal motivo para o fracasso do partido de Bush nas eleições, ao lado dos repetidos escândalos de corrupção envolvendo legisladores republicanos.

No entanto, o presidente disse ainda que é responsabilidade dos EUA dar apoio aos 152 mil soldados americanos no Iraque –uma aparente mensagem aos democratas que defendem o corte dos recursos enviados à missão no país.

“Qualquer partido tem a responsabilidade de garantir que as tropas tenham os recursos e o apoio necessário para sua missão no Iraque”, disse Bush.

Baixas

O Exército americano anunciou as mortes de dois soldados da 89ª Brigada Militar. Ambos estavam em um veículo atingido por uma bomba ao trafegar por uma estrada a oeste de Bagdá.

As novas mortes elevam o número de baixas americanas para 23 em novembro –11 deles apenas na Província de Al Anbar.

Ao menos 2.843 membros do Exército americano morreram desde o início do conflito no Iraque, em 2003.

Mortes

Cerca de 150 mil iraquianos morreram em decorrência da violência diária desde que forças americanas e britânicas invadiram o país, em 2003, segundo o ministério da Saúde iraquiano.

Segundo um alto funcionário do ministério, as pessoas foram vítimas de atos terroristas, de combates e de assassinatos. Entre 75 e 80 pessoas morrem em média diariamente no Iraque devido à violência sectária no país, de acordo com a fonte ministerial.

Os números têm por base estatísticas diárias enviadas a um departamento do ministério, que são atualizados todos os meses para que se chegue a um novo balanço a cada seis meses.