Histórico

Empresário dos EUA ‘vende’ terrenos na Lua a US$ 5 por km2

De seu escritório no Estado americano de Nevada, o empresário Dennis Hope criou uma corretora imobiliária milionária vendendo lotes na lua a US$ 20 por acre (o equivalente a 4.046 metros quadrados).
Hope explorou uma brecha no Tratado das Nações Unidas para o Espaço de 1967 e vem reivindicando a posse do satélite natural da Terra e de sete planetas e suas luas há mais de 20 anos.

Estas são “terras verdadeiramente sem dono”, diz ele. “Nós estamos fazendo exatamente o que nossos antepassados fizeram quando deixaram o continente europeu e vieram para o Novo Mundo.”

Hope disse que até agora vendeu mais de 400 milhões de acres, deixando ainda 8 bilhões de acres ainda à disposição de clientes interessados.

Os compradores incluem estrelas de Hollywood, grandes corporações – inclusive as cadeias de hotéis Hilton e Marriot – e até os ex-presidentes americanos Ronald Reagan e Jimmy Carter. O atual ocupante do cargo, George W. Bush, também seria proprietário de um lote na Lua.

Hope alega que está vendendo 1,5 mil propriedades na Lua por dia. Ele divide os terrenos simplesmente fechando os olhos e apontando para um mapa do satélite natural da Terra.

“Não é muito científico mas é meio divertido”, afirma ele. E com essa diversão ele já amealhou US$ 9 milhões.

Base lunar

Nenhum governo reconheceu até agora as vendas de lotes lunares como negócios oficiais.

A próxima corrida espacial para explorar a Lua começou com o anúncio do presidente Bush em janeiro de 2004, de que ele comprometia os Estados Unidos para voltar à Lua em 2017.

Segundo Bush, os Estados Unidos querem estabelecer uma base lunar mais permanente por volta de 2020.

“Nós estamos falando não apenas em ir lá para ficar três dias”, disse o engenheiro da Nasa (agência espacial americana) John Connolly. Desta vez, disse ele, “nós estamos falando sobre aprender a viver lá”.

Fronteira comercial

Outros países também estão fazendo planos. A China já lançou duas missões tripuladas ao espaço e anunciou um cronograma semelhante para a Lua.

A Rússia, há quase 50 anos uma das principais potências espaciais, pode não estar muito para trás. Europa, Japão e Índia também manifestaram interesse.

Há uma crença cada vez mais concreta de que dentro de décadas a Lua será muito mais do que um posto científico avançado. Ela pode se tornar uma fronteira comercial vital.

Grandes empresas privadas e empresários ricos também vêem no satélite natural da terra uma nova oportunidade para negócios.

Uma das maiores é a empresa aeroespacial americana Lockheed Martin, que está desenvolvendo tecnologias que vão permitir que futuros moradores da Lua explorem a superfície do corpo celeste.

Em especial, ela trabalha em um processo que vai converter poeira lunar em oxigênio e água. Pode até transformá-la em combustível para foguetes.

“Da mesma forma que usamos recursos aqui na Terra, podemos viver na Lua”, disse Larry Clark, da Lockheed Martin.

Mas são migalhas em comparação ao que cientistas acreditam ser o verdadeiro tesouro existente na superfície lunar.

Dados recolhidos de missões do programa Apollo indicaram que grandes depósitos de um gás extremamente raro chamado hélio-3 estão presos no solo lunar.

Os cientistas acreditam que este gás pode ser usado para criar uma nova fonte de energia quase inesgotável, limpa, sem poluição, para a Terra.

Já há planos nos Estados Unidos e na Rússia de explorar hélio-3 e transportá-lo 385 mil quilômetros para a Terra.

A Lua, diz o professor Jerry Kulcinski, da Universidade de Wisconsin-Madison, pode se tornar o Golfo Pérsico do século 21.

Voz solitária

Mas nem todo mundo está feliz com a idéia de explorar a Lua.

Edgar Mitchell, integrante da missão lunar Apollo-14 de 1971, manifestou preocupação de que, com a corrida para explorar o satélite natural da Terra, possam ser destruídas também informações científicas valiosas.

Segundo Mitchell, até que nós saibamos mais sobre a Lua, a idéia de tentar comercializá-la é uma idéia ruim.

Mas ele é quase uma voz solitária.

“A Lua é um local tão rico em termos científicos que eu acho que precisamos encará-la da mesma forma que encaramos o Pólo Sul”, explicou Connolly.

“Nós deveríamos ir lá descobrir tudo o que é preciso em termos científicos. Há várias reservas que, sabemos, podem ser de grande benefício.”

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