Empresários pressionam a Câmara para aprovar a reforma imigratória

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A segunda batalha pela legalização dos milhões de indocumentados começa em 10 de julho

O empresariado americano durante meses pressionou o Senado para que aprovasse uma reforma imigratória que incluísse um caminho para a cidadania para milhões de indocumentados. Agora, redobrou seus esforços para pedir urgência à Câmara de Representantes a fim de que os deputados façam o mesmo, divulgou o diário The Wall Street Journal (WSJ).

Entre as medidas incorporadas ao plano S. 744, aprovado na semana passada por ampla maioria (68 votos a favor e 32 contra), destacam-se vias de acesso para os trabalhadores estrangeiros.

O grupo que pressionou o Senado esteve integrado por empresas provenientes dos setores agrário, fabril, tecnológico e outros que asseguram precisar de leis para aliviar a escassez de trabalhadores que está freando seu crescimento e o das economias locais, disse o jornal em nota publicada em sua página digital.

OWSJ, citando declarações de Jay Reed, diretor da filial do Alabama de Construtores e Empreiteiros Associados, disse que um dos temas da pressão que exercem sobre a Câmara de Representantes é convencer os legisladores de que não existem filas de pessoas esperando uma oportunidad de emprego “fora de nossos escritórios”.

“Os trabalhadores têm que vir de algum lugar”, acrescentou.

A lista cresce

Além da pressão exercida pelos empresários e o Senado, a Câmara está sendo pressionada pela Casa Branca, por organizações de defesa dos direitos dos imigrantes e por setores religiosos. Todos pedem tanto aos democratas como aos republicanos que acelerem o processo e aprovem um projeto similar ao S. 744.

A liderança da Câmara de Representantes advertiu que não debaterá o plano aprovado pelo Senado, mas, sim, sua própria versão, e não dá garantia de incluir um caminho para a cidadania aos 11 milhões de estrangeiros sem status de permanência legal no país.
O WSJ assinala que um setor republicano está consciente de que é a hora de criar “laços com os eleitores latinos”.

Na eleição presidencial de novembro de 2012, 71% dos 12.2 milhões de eleitores latinos inclinaram-se pela reeleição do presidente Barack Obama, permitindo aos democratas permanecer na Casa Branca. Sem o apoio latino, os republicanos não reconquistarão o Salão Oval e a reforma imigratória desempenha um papel importante nesta decisão.

O jornal advertiu que, apesar da ampla votação no Senado do plano de reforma imigratória, na Câmara de Representantes a batalha promete ser mais acirrada. E destaca que os republicanos nesta instância do legislativo, em sua maioria, representam distritos “conservadores quase de maneira uniforme e que se opõem firmemente à proposta do Senado”.

O plano S. 744 inclui um caminho para a cidadania aos indocumentados que demonstrem estar no país desde antes de 31 de dezembro de 2011 e não tenham antecedentes criminais. Os favorecidos entrarão em um status de imigrante provisório ou temporário pelo período de 10 anos, ao final do qual poderão pedir a residência. Três anos depois terão direito a solicitar a cidadania.

Os democratas da Câmara, assim como a Casa Branca e o presidente Obama, advertiram os republicanos que não respaldarão uma reforma imigratória que não inclua a cidadania para os milhões de indocumentados.

O senador republicano John McCain (Arizona), integrante do Grupo dos Oito, disse ao jornal que a melhor maneira de superar a resistência na Câmara de Deputados é os empresários e outros setores favoráveis ao projeto S. 744 se mobilizarem e aumentarem a pressão.
Organizações nacionais que defendem os direitos dos imigrantes, entre eles setores religiosos, estão realizando várias campanhas de envio de mensagens de texto e chamadas telefônicas para inundar o Congresso com mensagens de apoio.

“As empresas, a Igreja Católica, os evangélicos terão de se mobilizar”, alertou McCain, segundo o jornal.

Depois do recesso

O debate na Câmara de Deputados começará em 10 de julho, quando os legisladores retornarem ao Congresso após o recesso do Dia da Independência.

Em meados de junho, o Comitê Judiciário da Câmara Baixa aprovou a iniciativa republicana SAFE, que segue os passos da proposta de lei H.R. 4437 aprovada em 15 de dezembro de 2005 que criminalizou a estadia indocumentada. A medida foi indeferida em junho de 2006, mas não deteve uma onda nacional anti-imigrante.

A estadia sem papéis constitui-se uma pena de caráter civil não criminal nos Estados Unidos. A reforma imigratória aprovada pelo Senado dará oportunidade a milhões de indocumentados para que saiam das sombras e legalizem suas permanências.

Alguns setores ultraconservadores da Câmara querem debater a reforma por partes e deixar fora a cidadania. Os empresários reiteram que o projeto deve ser integral e tomam como base a proposta aprovada na semana pasada por ampla maioria no Senado.

O senador Bob Menéndez (D-NJ) disse na semana passada que a reforma imigratória poderá ser aprovada no outono deste ano e não durante o verão, como muitos haviam dito.

Obama reiterou que não aceitará uma reforma imigratória com sentido comum, isto é, que não legalize a maioria dos estrangeiros sem papéis no país.