Empréstimo de passaporte é mais um dos negócios na fronteira

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Indocumentados pagam 470 dólares pela nova modalidade de crime

Pelo preço de 470 dólares, os indocumentados estão alugando passaportes para entrar nos Estados Unidos ilegalmente. A nova modalidade de tráfico humano já foi identificada pelos agentes da fronteira em Ciudad Juárez, mas mesmo assim tem sido usada com freqüência pelos negociadores, apelidados de ‘polleros’. O plano é simples: o imigrante ‘aluga’ o documento de uma pessoa com as mesmas feições físicas, atravessa o posto de entrada no Texas e, já em território americano, devolve o passaporte para alguém ligado ao esquema.

Segundo o jornal mexicano Excelsior, a documentação em poder dos negociadores é farta. Alguns dos passaportes pertencem a pessoas ligadas ao grupo, mas a maioria deles foi roubada mesmo. Tudo é negociado à luz do dia, na Ponte Internacional de Santa Fé, a poucos metros da fronteira. “Com o mesmo documento, vários imigrantes podem entrar ilegalmente na América, sem serem detectados”, assinala o jornalista do periódico, destacando a lucratividade do negócio.

Outro aspecto importante é que os latinos, em especial os mexicanos, costumam ter o mesmo tipo físico, o que facilita encontrar um passaporte dentre os que estão no ‘estoque’.

O esquema, segundo os próprios ‘polleros’, tem sido efetivo, pois trata-se de um método mais seguro e sigiloso do que atravessar a fronteira pelo deserto ou pelo mar, como acontece principalmente do lado da costa leste do país. Provavelmente por isso, os roubos de passaporte em Ciudad Juárez e arredores têm aumentado muito nos últimos meses e algumas casas foram invadidas apenas para que os ladrões roubassem esse tipo de documentação.

Com o reforço da segurança e fiscalização, os traficantes humanos têm buscado métodos inusitados para conseguir infiltrar indocumentados nos Estados Unidos. Segundo o Instituto Nacional de Migração do México, pelo menos 500 mil mexicanos entram na América anualmente