Encontro entre ex-paciente e doador de medula óssea emociona convidados

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A Fundação Icla da Silva completou 20 anos de ajuda à comunidade com evento no Broward Center

A pequena Caroline Dill, com sua mãe (e), e a família Dombrowsky: Eduardo, Ivanete, Mariana e Marco
A pequena Caroline Dill, com sua mãe (e), e a família Dombrowsky: Eduardo,
Ivanete, Mariana e Marco

Muita gente pensa em fazer ações sociais que realmente mudem a sociedade, mas infelizmente a maioria fica apenas nas boas intenções.
Alguns, no entanto, partem para a ação e estes fazem a diferença, como foi o caso de Airam Silva que, após ter visto o sofrimento da irmã, decidiu criar a Fundação Icla da Silva, para atender a um pedido da garota que saiu do Brasil e veio para os Estados Unidos em busca de uma oportunidade, mas não conseguiu o transplante que lhe salvaria a vida. Ela, porém, deixou uma semente plantada pelo irmão e que frutificou numa das mais ativas organizações em atividade nos EUA há 20 anos.

E para comemorar os 20 anos da Fundação Icla da Silva, o Broward Center for the Performing Arts reuniu mais de 130 pessoas que apoiam a causa, no dia 15 de junho, num evento que teve como ponto alto o encontro entre uma ex-paciente com leucemia e o seu doador de medula óssea, que salvou-lhe a vida.

Na oportunidade, Caroline Dill, de sete anos, conheceu o jovem brasileiro Eduardo Dombrowsky, que se registrou como doador uma campanha da Fundação Icla da Silva, em Boca Raton. A menina vive no Texas e, em 2010, recebeu as células de sangue que lhe deram uma segunda chance na vida o transplante de medula óssea era sua única chance de sobreviver. O encontro entre os dois foi emocionante, numa noite que também teve exposição da artista plástica Eleonora Goretkin, show de MPB com Beatriz Malnic e muito mais.

Encontro Emocionante

Ao saber que a filha necessitaria de um transplante de medula óssea, os pais de Caroline não desanimaram nem mesmo quando os resultados dos testes de compatibilidade feitos com as duas irmãs da menina deram negativo. Eles, então, recorreram ao Be The Match, o registro de doadores. Para felicidade da família, um doador do sul da Flórida foi considerado 100% compatível e aceitou fazer a doação.

Em junho de 2010, Eduardo então com 19 anos compareceu ao Jackson Memorial, em Miami, para o procedimento, com total apoio da família. Naquela época, ele sabia apenas que a doação seria para uma menina de cinco anos. Só a oportunidade de salvar uma vida já representa muito. Mas é claro que sempre quis conhecer para quem havia doado, afirmou o jovem.

Eduardo, hoje com 22 anos, confessou não ter palavras para descrever o que representou ter encontrado a menina que reviveu com sua ajuda: Não há como explicar este sentimento. Pude ver de perto o resultado da minha doação. É mesmo algo indescritível, garantiu o rapaz.

Do lado da família de Caroline, a expectativa também era grande: Ele é nosso herói. Ajudou nossa filha a ter uma segunda chance na vida e isso não tem preço, jamais conseguiremos retribuir este gesto, disse John Dill, o pai da garota. E quem compareceu ao evento no Broward Center pôde perceber que o trabalho da Fundação, realmente, dá frutos.

No dia seguinte, as duas famílias se reuniram no Picanha Brazil, restaurante do casal Marco e Ivanete Dombrowsky, pais de Eduardo. Mais uma vez, eles puderam confraternizar-se e ver como atos de amor podem mesmo mudar a humanidade.

O que é a Fundação

A Fundação Icla da Silva é hoje o maior centro de recrutamento de doadores de medula óssea no mundo, com o registro de mais de 40 mil pessoas por ano. O foco da Fundação está em minorias, que estão muito pouco representadas no registro do programa nacional de medula óssea. Importante frisar que os pacientes brasileiros, por exemplo, muito provavelmente vão encontrar seus doadores dentro da mesma comunidade e as chances de compatibilidade são de uma em mais de 30 mil registros.

O trabalho da Fundação possibilitou, até agora, mais de 120 transplantes não relacionados (ou seja, fora da mesma família) e outros 200 realizados dentro da mesma família. Só no ano de 2011, a Fundação ajudou financeiramente 105 famílias que não tinham condição de arcar com os altos custos do tratamento e do transplante. Uma das beneficiadas foi a atriz brasileira Drica Moraes, que inclusive gravou um depoimento em agradecimento ao trabalho da organizaçào que lhe permitiu ter outra chance de vida.

Icla da Silva era uma menina brasileira, que foi diagnosticada com leucemia aos 11 anos de idade. Infelizmente, a menina de Maceió, capital de Alagoas, não encontrou seu doador compatível de medula óssea e faleceu em Nova York. A partir da morte dela, porém, os pais e amigos resolveram criar uma organização que pudesse fazer a diferença para outros pacientes e assim nascia a Fundação Icla da Silva. Nestes 20 anos de atuação, a entidade conseguiu adicionar mais de 200 mil pessoas ao registro, sendo que 94% delas são minorias (brasileiros, latinos em geral, afroamericanos etc.).

A ciência já definiu mais de 65 enfermidades para as quais o transplante de medula óssea é a única chance de cura. Só no Brasil, as pesquisas indicam que são identificados cerca de 15 mil portadores de leucemia todos os anos e mais de 2.500 deles podem morrer se não encontrarem, com urgência, um doador compatível. Daí, a importância da nossa comunidade participar desta causa, seja registrando-se como doador ou mesmo ajudando a Fundação a organizar campanhas.

Para saber mais sobre o trabalho da Fundação, acesse o site www.icla.org ou ligue para (646) 385-0671. O registro é gratuito e pode salvar uma vida. Participe e você sentirá o quanto é gratificante poder ajudar o próximo.