Entidade em Broward oferece apoio a dependentes químico

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Mais de 4 mil pessoas passam por ano pelo centro que oferece ajuda a quem quer largar o vício

Joselina Reis

Quando não há mais esperanças, eles caminham com as próprias pernas e chegam ao Broward Addiction Recovery Center (BARC) procurando ajuda para largar o vício. No começo, lembra o médico responsável Dale Fahie, “é horrível”, e depois que eles (os pacientes) deixam o centro o período de “manutenção” da nova vida é para sempre.

Todos os anos cerca de 4500 adultos passam pelo centro oferece serviços gratuítos mantidos pelo condado de Broward e por um fundo de ajuda a criança. O primeiro passo é passar pela desintoxicação. Os sintomas vistos pela equipe médica todos os dias são dignos de ficção: vômito, diarréia, arrepios, pele extremamente gelada, pupilas dos olhos quatro vezes mais dilatadas, dores nos ossos entre outras reações a abstinência às drogas. Esse processo dura sete dias.

Por isso, conta o médico Dale Fahie, cerca de 10% não conseguem terminar o tratamento e abandonam o centro. “Eles voltam mais tarde. É parte do processo”, lembra o médico que não acredita que somente as más companhias levam pessoas para o caminho das drogas.
Ele e o diretor do centro, Paul Faulk, relatam que a maioria dos pacientes, que eles preferem chamar de clientes, chegam a contar a história de que um amigo(a), namorado (a) deu o primeiro incentivo, mas na verdade foi a própria vulnerabilidade que deu o grande empurrão para o abismo. “Quando você investiga o caso sempre vai encontrar algum tipo de trauma que explica porque essa pessoa aceitou seguir por esse caminho”, enfatiza Fahie.

E o caminho que os médicos do BARC veem seus clientes seguindo não é fácil: cocaína, heroína, álcool e remédio contra a dor são os mais comuns. Para se livrar deles, os clientes do BARC, unidade que tem 34 camas, precisam mais do que sete dias de desintoxicação química. O segundo passo é o tratamento residencial onde o paciente (ainda internado) recebe por 30 dias ajuda médica e psicológica no centro localizado em Coral Springs, depois disso vem as visitas periódicas por outros 60 dias.

Homen x Mulher

A maioria dos clientes do BARC ainda são homens cerca de 60% contra 40% de mulheres, mas a diferença já foi maior, 70% a 30%. O diretor médico, Dale Fahie, conta que a mudança tem ocorrido nos últimos anos, não porque as mulheres estão tendo mais problemas com drogas, mas porque elas não têm mais tanta vergonha em mostrar suas fraquezas. “Ainda é aceitável na sociedade ver o homem em certos tipos de mau comportamento, mas para as mulheres ainda é um constrangimento, um tabu, uma vergonha”, esclarece.

Muitas delas chegam ao centro grávidas ou porque a justiça lhe tirou os filhos. Após passar pelo tratamento, começa o processo longo de reaver os filhos. A espera para tê-los de volta em casa, segundo informações da entidade Child Net, uma organização em Broward que cuida dos direitos das crianças em estado de risco, pode levar até 11 meses dependendo de casa caso.

De acordo com o diretor Paul Faulk homens e mulheres têm a mesma dificuldade em largar o vício. “Eles afirmam que podem dar conta de mudar o ambiente onde vivem, que vão mudar hábitos, que vão ser fortes, mas se não tiverem apoio lá fora, eles não conseguem”, comenta o diretor.

Com quase 45 anos de atuação na região de Broward, a entidade tem ajudado a mostrar a seus clientes que o apoio na comunidade é o grande gol do período pós-tratamento. “Eles precisam de uma rede positiva de amizade e ajuda para dar conta do problema, é aí que entidades como Alcoólicos Anônimos, Narcóticos Anônimos entre outras fazem seu trabalho fundamental na recuperação”, enfatiza Faulk.

Serviço
BARC – Broward Addiction Recovery Center
1011 SW 2nd court
Fort Lauderdale
(954) 357-4851 ou 4880.