Entrevista exclusiva: Nizo Neto

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Para lavar a alma de tanto rir

Em entrevista exclusiva, Nizo Neto lembra início da carreira, suas influências e garante que ‘Falando Sozinho’, o show que ele apresenta no Feijão com Arroz no dia 18 de junho, vai “desopilar” o público do sul da Flórida

Como bom comediante, Nizo Neto se considera um “médico da alma”. E ele estará no sul da Flórida, no dia 18 de junho, apresentando o seu show ‘Falando Sozinho’, como forma de tratamento eficaz contra o mau-humor. “A ideia é fazer a plateia desopilar”, disse o artista, em entrevista exclusiva ao AcheiUSA. No bate-papo, ele adiantou o que os brasileiros poderão ver no palco do Feijão com Arroz: números de mágica, esquetes e personagens engraçados. O show de Nizo faz parte da ‘Temporada do Riso’, iniciativa da Giovanini Productions. Mais informações pelo telefone (754) 224-1006 / 954-226-8261 ou no site www.giovaniniproductions.com. Veja agora os principais trechos da entrevista do humorista:

AcheiUSA: Qual a expectativa para esses shows nos EUA?
Nizo: – A melhor possível. Um dos grandes prazeres da minha profissão é levar o que eu sei fazer ao maior número de pessoas e lugares diferentes e é muito bom viajar e poder fazer isso para plateias que eu nunca imaginei que faria. E o público brasileiro é fantástico onde quer que ele esteja.

AcheiUSA:: O que o público pode esperar?
Nizo: – Muita diversão. A ideia do show é fazer a platéia desopilar. Nós, comediantes, somos ‘médicos da alma’. Comprovadamente o riso faz bem à saúde. ‘Falando Sozinho’ é um show simples, variado e que faz rir.

AcheiUSA:: Fale um pouco sobre cada personagem do seu show? Quais deles você mais gosta?
Nizo: – Na verdade eu faço pouquíssimos personagens no show. A experiência me ensinou que personagem é para se fazer em teatro, ou em lugar onde haja um mínimo de distância entre o palco e o público. Em bar ou restaurante prefiro fazer mais de ‘cara limpa’. Mas, dos que eu vou fazer, gosto muito do Jorrrrrge, um rapaz em conflito com sua masculinidade, que contracena com a voz do Tony Ramos. Outra parte que eu e o público adoramos é o Jornal do Futuro, o telejornal de 2040; outra parte muito legal é quando eu ‘ensino’ uma mágica ao público.

AcheiUSA:: Além de humorista, você também é blogueiro. Como começou isso?
Nizo: – Começou quando eu resolvi ‘sair do armário’ como comediante. Até o final dos anos 90, eu queria ser galã de novela, até era cobrado para fazer comédia mas eu não queria por um simples motivo: Não me achava engraçado. Mas aí entra coisa de auto-estima, uma longa história. Mas depois que voltei dos Estados Unidos (morei três anos aí), ainda tentei um pouco a dramaturgia, mas fui começando a notar que as pessoas me achavam engraçado. Comecei, timidamente, a escrever alguma coisa, até que resolvi montar meu show solo de humor e escrevi ele todo. Aí bombou a coisa dos blogs, que eu acho um ótimo veículo pra exercitar a escrita e ser uma espécie de portfolio para os meus textos.

AcheiUSA: No seu blog você usa um ‘approach’ pouco ortodoxo e fala sempre sobre temas sexuais. Por que a escolha dessa vertente?
Nizo: – Se você observar isso foi uma fase. Mas uma coisa importante no blog e que me fez ganhar muitos fãs é que eu resolvi me mostrar mesmo e contar histórias reais e tocar em alguns temas bizarros de forma meio crua. Mas é assim que eu sou mesmo, meio tarado e maluco. Eu demorei um pouco a aprender, mas depois que eu me mostrei mais inteira e sinceramente comecei a chamar mais atenção.

AcheiUSA: Algo do seu blog é levado para o palco?
Nizo: – Um pouco. O humor para se ouvir é sutilmente diferente do feito para se ler. Mas alguns temas, sim, com certeza.

AcheiUSA: E algum personagem da televisão?
Nizo – Ainda não. Tenho pronto um texto para o Cadelo, segurança do Deputao Justo Veríssimo, que eu fazia no ‘Zorra Total’, mas não será para este show.

AcheiUSA: Você ainda sofre muitas comparações com o seu pai ou o público já diferencia? E como você lidou com isso?
Nizo – Essa coisa de ser filho do Chico Anysio vai ser um rótulo impossível de tirar porque a figura dele é muito forte e, acima de tudo, eu sou filho dele! Comparação rola de vez em quando, mas eu entendo. Volta e meia eu me pego me comparando com ele também.

AcheiUSA: Qual é, na sua opinião, a diferença entre o seu trabalho e o trabalho do seu pai e do seu irmão?
Nizo – Meu pai começou no radio em 1945, numa época em que não havia Televisão. Aprendeu com os que praticamente inventaram o nosso humor contemporâneo: Haroldo Barbosa, Antônio Maria, Max Nunes, Sérgio Porto e Lauro Borges, entre outros. É um cara de um talento fora do comum, na minha opinião o maior criador de tipos do mundo. O Bruno escreve desde os sete anos de idade. Aos 14 já escrevia profissionalmente para ‘Escolinha do Professor Raimundo’. Aos vinte era redator final do ‘Chico Total’. Esse é outro que merece todo o sucesso que está fazendo. Eu juntei tudo o que aprendi: Atuação, comédia, Rádio, Teatro, mágica, dublagem etc. e fiquei isso que eu sou. Acho que showman seria, pretenciosamente, o que me definiria melhor.

AcheiUSA: Como você define o cenário humorístico do Brasil atualmente?
Nizo – Ótimo. O humor, muito graças ao stand-up comedy, está voltando com força total no Brasil. Praticamente renascendo, já que, desde o fim dos anos 80, desde o boom do besteirol, estava meio apagado. A internet ajudou também.

AcheiUSA: Você gosta do novo humor cearense?
Nizo – Muito, mesmo porque o humor cearense corre grosso no meu sangue. Meu avô, o velho Oliveira Paula, pai do meu pai, cearense de Maranguape, era um comediante nato, no sentido mais puro da palavra. Nunca subiu num palco ou pensou em se apresentar em público, mas tinha um humor muito próprio, com o qual me identifico muito. O Ceará é conhecido por ser berço de grandes nomes do humor e, muito por conta disso, tem uma das melhores plateias pra comédia – assim como quase todo Norte/Nordeste.

AcheiUSA: O ‘stand-up comedy’, estilo americano, chegou há poucos anos no Brasil. Como você vê essa influência?
Nizo – O stand-up sempre influenciou os humoristas, na verdade é a base do humor: aquilo que é engraçado e a gente vive no dia-a-dia. Mas essa explosão do stand-up no Brasil foi maravilhosa porque, como eu disse acima, fez o humor voltar à tona.

AcheUSA: Manda um recado para o público dos Estados Unidos.
Nizo – Com prazer. E esse recado é para essa galera batalhadora que vive longe de casa para ter uma vida melhor, rala muito e merece momentos de descontração para ajudar a segurar essa barra que é viver na América. Apareçam no Feijão com Arroz dia 18 que eu tenho certeza que vocês vão lavar a alma de tanto rir!