Entrevista – O Planeta Brasil de André Szapiro

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Ele considera o Planeta Brasil uma experiência profissional importante para sua carreira

Ser o autor das reportagens que retrata os imigrantes brasileiros dá visibilidade a André Szapiro, este carioca do Leme, que viaja por todos os Estados Unidos em busca de reportagens que retratem como vivem nossos patrícios neste país. Porém, isto é apenas a ponta do iceberg. André sente que teve um amadurecimento que poderia levar bem mais tempo no jornalismo se não tivesse sido repórter do Planeta Brasil.

Na opinião dele, esta tem sido uma experiência incrível, que lhe tem possibilitado um crescimento profissional que supera qualquer expectativa. Mas, nada melhor do que ouvir o que o próprio titular do Planeta Brasil tem a dizer sobre isto. A seguir, publicamos uma entrevista feita pelo AcheiUSA com o repórter que encontra brasileiros nos mais inusitados locais dos EUA.

André
Atrás do microfone da TV Globo, há um jornalista que sabe valorizar as notícias
que interessam aos brasileiros

AcheiUSA – Em primeiro lugar, André, apresente-se ao nosso leitor: onde nasceu, começou a carreira etc
André Szapiro – Olá, muito prazer… Sou carioca, nascido no Leme, um pequeno bairro da zona sul da cidade. Adoro esse cantinho, onde fui criado e fiz meus primeiros amigos. Resolvi ser jornalista porque sempre gostei muito de escrever. Além de vir de uma família muito engajada nos movimentos sindicais, o que me levou a acreditar em causas, bandeiras. O jornalismo então me pareceu evidente para juntar as duas paixões. Antes, fazia a assessoria de imprensa de eventos culturais que promovia com amigos. Virei estagiário da Globo em 2001 e não saí mais de lá…

AU – Você já morou ou havia considerado morar no Exterior antes de receber o convite de vir para o Planeta Brasil aqui nos EUA?
AS – Considerado sim, com certeza. E, se é que se pode chamar de morar, eu passei 2 meses e meio na Inglaterra. Mas os EUA como casa, realmente, foi uma surpresa do destino. Que se revelou muito boa, diga-se de passagem…

AU – Durante este período à frente do programa e tendo visitado brasileiros em tantos lugares do país, dá para ter uma opinião de como vive o brasileiro aqui?
AS – É muito difícil, num país desse tamanho, dizer como vive o brasileiro. Os cotextos, as características de imigração são muito diferentes. Em traços gerais, eu diria que o brasileiro é muito querido nos EUA, é um povo que batalha muito aqui e nutre permanentemente um sonho em relação à sua terra natal. Pode até não ser de voltar para o Brasil, mas de se manter ligado.

AU – Diminuiu o entusiasmo do brasileiro de emigrar para os EUA em função das dificuldades enfrentadas pelo país e pelo endurecimento contra os ilegais?
AS – Com certeza. E mais um fator que complica esse entusiasmo é o momento econômico que o Brasil atravessa. Quando ficamos muito tempo sem voltar, algumas fantasias se fazem mais presentes. De longe, tudo parece melhor… E realmente, na área econômica, tudo está melhorando por lá. Mas socialmente as coisas ainda são muito complicadas. Mesmo assim, ficar longe da família, viver em outra cultura, ter medo da imigração, dificuldade para arrumar emprego… O preço é muito alto. Tem gente que se cansa…

AU – Você acredita que, no atual momento do Brasil, compensa mais ficar lá ou se aventurar no Exterior, sobretudo aqui nos EUA. Quais as vantagens e as desvantagens nos dois casos?
AS – Isso é muito particular. Mas, uma vez tomada a decisão de vir, a oportunidade deve ser aproveitada ao máximo, em todos os seus aspectos. Viver em um lugar com a cabeça em outro não compensa. O Brasil está bem, mas ainda não é um país que proporcione a segurança (só para dar um exemplo) que uma vida nos EUA tem. A estrada ainda é muito longa. Mas, como eu disse, o preço para ficar aqui está se tornando alto demais, e não só economicamente…

AU – Qual o perfil do imigrante brasileiro que está morando nos EUA: o daquele que veio trabalhar para mandar dinheiro para a família ou aquele que pretende fixar residência e criar seus filhos em outro país, com outra cultura?
AS – Claramente temos os dois perfis. Dependendo da comunidade, do estado, encontramos mais de um ou de outro. Em Massachusetts, temos muitos brasileiros trabalhando para juntar um dinheiro, ajudar a família no Brasil. Já na Pensilvânia, o contrário. Isso é muito variado.

AU – O Planeta Brasil é visto apenas na TV Globo Internacional, mas você sugere algumas pautas para a TV Globo do Brasil? Algo que, a seu ver, poderia ser interessante
AS – Sinceramente, o Planeta Brasil todo seria muito bacana no Brasil. Talvez uma edição menor, talvez não semanal, mas tenho certeza que seria um sucesso por lá. Sempre que posso, toco no assunto com eles. Quando encontro pautas que não são para o Planeta, mas rendem boas matérias, faço sugestão para os jornais que acredito terem o perfil da história.

AU – Qual o principal desafio que vocês enfrentam para elaborar as pautas, uma vez que há brasileiros nos mais diversos cantos deste país enorme, e vocês estão sediados em New York?
AS – Na verdade, estamos em Los Angeles. Temos dois desafios principais: o primeiro é geográfico. Cobrir um país desse tamanho com apenas um repórter é bem difícil. O segundo é a quantidade de reportagens que temos para fazer. É muita coisa acontecendo, muita coisa importante, interessante, e nem sempre podemos estar lá no tempo certo.

AU – Houve alguma vez que você sentiu-se enganado por alguma sugestão de pauta?
AS – Ainda não, graças a Deus. A produção do programa tem sido muito importante nesse sentido.

AU – É possível citar uma região dos EUA onde os imigrantes brasileiros são mais unidos? E o que pensa a respeito da mídia comunitária: ela cumpre o papel de informar ou fica aquém do que seus leitores poderiam esperar?
AS – Naturalmente, em Massachusetts, onde a comunidade é maior, existe mais articulação. Mas em geral o brasileiro aqui repete um pouco do comportamento do brasileiro de lá: não se mobiliza muito, não gosta de esquentar a cabeça… Algo que a mídia comunitária responde com competência, em minha opinião. Informando, produzindo excelentes matérias que, muitas vezes, já nos pautaram também.

AU – Quando você retornar ao Brasil, como você acha que esta experiência pode ter sido enriquecedora, tanto do ponto de vista profissional como do ponto de vista pessoal?
AS –Morar num país organizado como os EUA dá uma noção do quanto é importante exercer a sua cidadania. Quando digo isso falo de direitos e deveres. Fazer a nossa parte, respeitar as leis, ser correto e receber isso de volta do estado. Essa é uma experiência muito enriquecedora. Profissionalmente está sendo o período mais intenso da minha vida. Tornei-me um jornalista mais completo e feliz com o que escolhi para fazer na vida.

AU – Quais seus planos futuros como jornalista de TV?
AS – Essa é uma pergunta complicada… O Brasil atravessa um momento, em especial o Rio, com grandes eventos, enormes investimentos, em que o jornalismo é muito importante, essencial. Temos uma chance enorme de melhorar o país de verdade, de criar cidadãos, não só consumidores. E eu quero que o meu trabalho participe desse processo, ajude a melhorar a minha cidade, o meu país, o lugar onde vou criar meus filhos. É nisso que penso, essa é a minha ambição profissional, e vou fazer o que for mais eficiente nesse sentido.