Escândalo parece não incomodar Brasília

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Parlamentares e até o presidente Lula evitam criticar governador do DF. Entidades civis pedem impeachment

As imagens do governador do Distrito Federal (DF), José Roberto Arruda, e de seus assessores recebendo propina, pelo visto, incomodaram apenas a opinião pública. A maioria da bancada do DEM, partido de Arruda, é contra a expulsão sumária do governador. Até mesmo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em viagem oficial, manifestou-se dizendo que as imagens não são capazes de incriminar qualquer pessoa ou acusar quem quer que seja de participação em um esquema de corrupção na capital federal.

O líder do DEM, senador José Agripino (RN), não quis dizer qual foi o placar da votação entre os dez parlamentares que participaram de uma reunião a portas fechadas, numa forma de prévia do encontro da Executiva. Vale lembrar que Arruda é o único governador que carrega a sigla do partido e, ainda mais, de um centro estratégico para futuros acordos eleitorais. “Defendemos uma apuração rápida do que foi denunciado contra o governador do Distrito Federal”, disse Agripino, que pessoalmente é contra a permanência de Arruda.

Ele rebateu as críticas de que o partido está jogando a sujeira para baixo do tapete, assim como fez o PT no caso do Mensalão. “Estamos com disposição de tomar uma decisão com altivez, sem passar a mão na cabeça dos eventuais culpados”, acrescentou o líder do DEM. Na tentativa de evitar sua expulsão sumária, Arruda fez ameaças de que revidaria qualquer ação radical da legenda e a estratégia funcionou.

Surpreendente mesmo foi a reação de Lula. No fim de sua participação na Cúpula Íbero-Americana, em Portugal, o presidente afirmou que não cabe ao chefe de Estado se manifestar sobre investigações da Polícia Federal, mas advertiu que as imagens, na sua opinião, não provam nada. “A imagem não fala por si. O que fala por si é todo o processo de apuração e de investigação”.