Escândalo sexual provoca renúncia de diretor do FMI

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Strauss-Kahn entregou cargo, mas caso abala relação entre França e EUA. Fiança é de um milhão de dólares

Numa decisão já esperada, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, entregou o cargo que ocupava há quase quatro anos: em comunicado à entidade e aos órgãos de imprensa, o francês acusado de agressão sexual, cárcere privado e tentativa de estupro contra uma camareira em um hotel de New York, apresentou sua renúncia formal, mas continuou negando que tenha cometido tais crimes.

É com infinita tristeza que me sinto obrigado a apresentar ao Conselho Administrativo minha renúncia, escreveu Strauss-Kahn, que está detido desde a semana passada em uma prisão de Rikers Island. A Justiça americana negou o pagamento de fiança de um milhão de dólares para que ele pudesse responder ao processo em liberdade.

O caso gerou um tremendo mal-estar entre os Estados Unidos e a França. Muitos europeus acreditam que o todo-poderoso do FMI é vítima de um complô: uma pesquisa feita por um jornal de Paris mostrou que a maioria da população acredita na inocência de DSK, como o economista é conhecido. Ele, aliás, era um dos fortes concorrentes à sucessão presidencial na França, mas provavelmente deve ter a sua carreira política encerrada depois do escândalo isso sem falar que ele pode passar uns bons anos atrás das grades se for processado.

Do lado americano, as palavras são de apoio ao sistema judicial. Esta é uma história inspiradora sobre a América, onde até uma empregada pode ter dignidade e ser ouvida quando acusa um dos homens mais poderosos do mundo de ser um predador. Aqui, como em nenhum outro lugar do mundo, a justiça é feita sem levar em conta riqueza , classe ou privilégio, atesta um editorial do New York Times.