Escolas públicas americanas abrem as portas para os estudantes internacionais

0
1479

Cidades pequenas onde sobram vagas no ensino médio arranjaram um jeito de ocupar as cadeiras vazias

DA REDAÇÃO COM USA TODAY E O GLOBO

Estudar inglês fora do Brasil é um sonho para muitos estudantes. De acordo com a Brazilian Educational & Language Travel Association (Belta), associação que reúne as agências de intercâmbio, o número de estudantes brasileiros fora do país cresce, em média, 15% ao ano. Em 2014, mais de 230 mil pessoas devem fazer algum curso fora do Brasil.

Os destinos mais procurados são Canadá, Estados Unidos e Reino Unido. Os motivos que levam os estudantes para fora do país são aprender outra língua, fazer um ensino médio e um curso de férias. Quem ganha com isso são as escolas americanas, principalmente as de ensino médio das cidades pequenas que viram nos estudantes internacionais (brasileiros ou não) uma maneira de manter as salas abertas e cheias.

Em NY, por exemplo, quando o desemprego levou as famílias da pequena cidade Newcomb para outros centros urbanos, a escola pública de ensino médio ficou em uma encruzilhada: fechar as portas ou juntar-se a outros distritos escolares.

Em 2007, no entanto, o distrito escolar percebeu que poderia dar uma reviravolta na situação. As cadeiras vazias da escola poderiam gerar renda para a cidade. A escola abriu as portas para os estudantes internacionais dispostos a pagar $10 mil por ano para poder estudar em uma escola americana.

Newcomb é apenas um exemplo do número crescente de escolas, públicas e privadas, nos Estados Unidos que decidiram abrir as portas para os estudantes internacionais. Pesquisa nacional mostra que o número de estudantes internacionais no ensino médio nos EUA cresceu de 6.500 em 2007 para 65 mil em 2012.

Lei federal Americana limita o tempo que um estudante internacional (aqueles que chegam nos EUA com o visto F-1) pode ficar em uma escola pública, apenas um ano. Não há restrições para escolas particulares. O diretor executivo da Associação Americana de Administradores de Escola, Daniel Domenech, acredita que outras escolas vão seguir o exemplo de Newcomb devido as questões financeiras. “É uma questão de recursos para a nossa comunidade”, disse.

Na escola de Newcomb, um prédio de dois andares construído em 1948, o número de matrículas estava caindo drasticamente. Com capacidade para 400 estudantes, a direção viu o corpo discente cair para 57 estudantes em 2006, se não fosse a ação rápida da direção escolar, a formatura da turma poderia ter apenas dois alunos em 2008.

Sete anos depois a escola da cidade já recebeu mais de 80 estudantes do ensino médio, vindo de 28 países e tem mantido o número de estudantes acima dos 100, anualmente. Cada aluno paga $5 mil por um ano de aula, e outros $5.500 para casa e alimentação. Tudo isso para uma chance de experimentar a educação americana e ter mais probabilidade de serem aceitos em uma faculdade ou universidade dos EUA.

Brasileiros
Entre os brasileiros intercambistas, o novo perfil envolve jovens profissionais que querem fazer cursos rápidos, melhorando o curriculum quando voltam ao Brasil. O supervisor de engenharia Maurício Ribeiro decidiu fazer um intercâmbio de dois meses e meio em Los Angeles, nos Estados Unidos. Ele vai investir R$ 15 mil, incluindo o curso intensivo e hospedagem em uma casa de família. “Eu trabalho em uma empresa multinacional há 15 anos, onde eu comecei como operador e hoje sou supervisor de engenharia. O inglês é crucial para meu crescimento profissional dentro da empresa”, afirma.

Profissionais como Maurício, em busca de novos horizontes no mercado ou mesmo nas empresas onde já trabalham, representam hoje 30% dos brasileiros que embarcam para estudar línguas em outro país, segundo as agências de intercâmbio. É um público maduro, diferenciado, que tem procurado cada vez se aperfeiçoar lá fora.

A procura por cursos de graduação, cursos profissionalizantes e mestrado em outros países também tem crescido bastante, cerca de 20% ano ano. No entanto, o número de brasileiros em universidades não seja muito expressivo.