Especial Religião: A Páscoa sob o olhar evangélico

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Por Edemilson Cardoso

Em nosso cotexto inúmeras igrejas cristãs dedicam-se a comemorar a Páscoa como um festival anual de celebração da Ressurreição de Cristo, que agora cai no primeiro domingo após a primeira lua cheia ou após o equinócio de inverno (21 de março). A palavra Páscoa vem do hebraico Pesach. Nas línguas saxônicas, o nome indica uma associação com o Eostur-monath, mês de abril, quando se comemorava a morte do inverno e a recuperação da vida, atmosfera simbolicamente ligada à ressurreição. No mundo pagão esse festival era conhecido como tempo da ressurreição do deus da vegetação: Tamuz, que morria no outono e tornava a viver na primavera.

Com a liderança do imperador Constantino a partir do 3o século, ele tentou unir o estado com o cristianismo, muitas mudanças entre crenças e práticas pagãs e cristã se mesclaram, no intuito de formar um nova ordem no mundo. O Novo Testamento Bíblico não dá nenhuma evidência explícita de uma celebração comemorativa da ressurreição (Atos 12:4) como vemos na cultura ocidental, onde inclui um domingo específico, não comer carne, festival de coelhos e ovos de chocolate. É estranho ao evangelho eterno esse tipo de celebração.

A Páscoa e o Povo de Israel

A libertação dos hebreus do Egito, após 430 anos de escravidão é o nome dado oficialmente a esta festa bíblica, Páscoa ou em inglês Passover, o ato do anjo da morte passar sobre as casas do povo hebreu que tinham as marcas do sangue do cordeiro em suas portas e o anjo não executou o primogênito da família (Êxodo 11 e 12). A décima praga sobre a nação egípcia foi sobre o primogênito de cada família, assim o Deus Eterno precisou agir contra a opressão do faraó e suas injustiças contra os hebreus.

A Páscoa, no cotexto da Bíblia e do povo de Israel, é a libertação da opressão que em última análise representa a libertação de cada ser humano do pecado, é a celebração da vida, de um novo horizonte. A Páscoa acontecia na primavera (hemisfério norte) no dia 14 de Nisã, o primeiro mês do calendário antigo judaico. Aos israelitas era ordenado comerem carne de cordeiro ou cabrito sem defeito e ervas amargas, e por sete dias seguintes pães sem fermento ou pães asmos (Êxodo 12:1-51 e Levítico 23:5).

A Páscoa e Jesus
A Páscoa está intimamente ligada à vinda do Messias à Terra. Quando Jesus estava com 12 anos foi a uma celebração da páscoa judaica em Jerusalém, ali ficou dias no templo ouvindo e perguntando, cuidando dos negócios de Seu Pai (Lucas 2:39-52).

Em cumprimento à profecia dada através do profeta Daniel referindo-se às 70 semanas ou 490 anos (Daniel 9:23-27) da contagem do último decreto de reconstrução de Jerusalém em 457 a.C. ao ano 31 A.D. quando se cumpre o tempo onde o Cordeiro de Deus, Jesus, o Ungido do Senhor, deveria ser sacrificado, com a morte do Messias na cruz. Foi na Páscoa que Jesus também foi sacrificado, onde o véu do templo de Jerusalém se rasgou de alto a baixo, por que? Porque Jesus, o Cordeiro de Deus, morria pela humanidade.

Jesus ao terceiro dia ressuscitou como a profecia mesmo dizia. Aliás Jesus utilizou-se da história real do profeta Jonas que ficou três dias no ventre do grande peixe e Jesus disse que ele também estaria três dias na tumba, mas ressuscitaria. Podemos ler tudo isso nos quatro evangelhos, onde temos de maneira inspiradora o maior sacrifício já feito e visto no universo, a maior história de fé, amor e esperança a toda humanidade.

A Páscoa Hoje

Jesus deixou como símbolos para celebração da Páscoa a Santa Ceia e a cerimônia de lavar os pés uns dos outros como preparação para a mesma.

“Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que a sua hora de passar deste mundo para o Pai já tinha chegado, como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim” (João 13:1). Ao lavar os pés de seus discípulos, Ele disse que deixaria este exemplo para que eles seguissem, para que todos entendessem o valor da amizade, da reconciliação, do perdão, do relacionamento restaurado com Deus e uns com os outros.

Depois Ele lhes entregou dois símbolos, o pão e o vinho. Assim como Ele viveu, morreu e ressuscitou sem pecado, o pão e o vinho deveriam ser ausente de fermentação. Ele como Cordeiro sem defeito tomou o nosso lugar, levou sobre si a nossa morte, nosso sofrimento e iniquidades. Para que? Para que tenhamos vida, uma nova oportunidade, para que o Reino de Deus seja nosso e para sempre.

O pão passaria a representar o seu corpo, dado em nosso favor. Ele seria o nosso alimento para a vida, seus ensinamentos, suas palavras, seus atos, seus milagres, todos nossos. Ele traria cura definitiva para o livramento final do pecado. O vinho sem fermento representaria o seu sangue, símbolo de uma nova aliança entre Deus e nós, selado pelo sangue de Jesus (Mateus 26:17-30 e 1 Coríntios 11:17-26).

O pecado requer a morte (Romanos 6:23), mas ao morrer por nós, foi através de seu sangue que Jesus se tornou o nosso Redentor. Todas as vezes que comemos do pão e bebemos do suco da uva, lembramos do que Ele fez e faz por nós. E Ele disse que deveríamos celebrar esta aliança até que Ele volte. Ora vem Senhor Jesus! Apocalipse 22.