Especialista diz que esta é a hora certa para debater a questão imigratória

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Educador da Universidade de Washington não aceita argumentos de que a crise econômica e o alto índice de desemprego pode impedir reforma

Há poucos dias o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou que seria difícil aprovar mudanças na lei que trata dos imigrantes durante a crise econômica pela qual passa os Estados Unidos. No entanto, na contramão dessa opinião está o diretor da Faculdade de Direito de Georgetown (Universidade de Washington DC), T. Alexander Aleinikoff: em artigo publicado num dos mais respeitados jornais da capital americana, o The Washington Post, o educador escreveu com todas as letras que há inúmeras razões para dar início aos debates sobre uma eventual e necessária reforma imigratória que tirará cerca de 12 milhões de estrangeiros das sombras.

“Na última vez em que foram debatidas, em 2007, as mudanças previam um amplo programa de trabalhadores temporários, o que contrariava os sindicatos. Agora, os ativistas pró-imigrantes engavetaram esta proposta porque reconhecem que o alto índice de desemprego, na casa dos dois dígitos, a torna inviável”, acredita Aleinikoff. Ele escreveu que os opositores da idéia costumam dizer que uma espécie de anistia colocaria os indocumentados disputando os mesmos empregos dos cidadãos desempregados.

“Estes argumentos funcionam se pensarmos a curto prazo. No longo prazo, um programa de legalização irá liberar o espírito empreendedor dos novos imigrantes legais e veremos a revitalização das indústrias e florescimento de empregos e oportunidades em vários setores”, escreveu ele, acrescentando que o pagamento de multas e quitação de impostos atrasados também abasteceriam os cofres do governo. O educador concorda, porém, que o país não têm estrutura para lidar com a regularização de 12 a 20 milhões de imigrantes.

Segurança na fronteira

Outro ponto abrodado no artigo foi em relação à segurança nas fronteiras. Aleinikoff acredita que o projeto de reforma deverá criar mecanismos para impedir a entrada ilegal de imigrantes, bem como punir empregadores que contratam profissionais indocumentados. “Isso faz mais sentido do que as operações que separam comunidades e famílias”, rebate. No site do The Washington Post, o texto gerou centenas de comentários, tanto favoráveis quanto ofensivos ao ponto de vista do decano. “A primeira coisa que eles fizeram quando entraram na América foi quebrar a lei. Não merecem anistia”, bradou o leitor identificado como Mike. Outro, chamado de Sobbers, aplaudiu a coragem do autor e do próprio governo Obama em debater esse assunto em uma época difícil.