Uma publicação nas redes sociais feita por Katie Miller, esposa de Stephen Miller, assessor sênior do presidente Donald Trump e um dos principais formuladores de sua agenda política, reforçou as tensões diplomáticas entre os Estados Unidos e a Groenlândia. A imagem, divulgada por ela na plataforma X, mostra o mapa da ilha coberto pela bandeira americana, acompanhado da legenda “em breve”, em uma clara alusão à possibilidade de incorporação do território aos EUA. Embora Katie não ocupe cargo oficial no governo, o vínculo direto com um integrante do alto escalão da Casa Branca conferiu peso político ao gesto, interpretado por autoridades e analistas como uma provocação.
O primeiro-ministro do território autônomo, Múte Egede, reagiu afirmando que a Groenlândia “não está à venda” e classificou o conteúdo como uma demonstração de desrespeito à soberania e à autodeterminação do povo groenlandês. Em declarações à imprensa internacional, Egede reforçou que qualquer decisão sobre o futuro da ilha cabe exclusivamente à sua população, rejeitando de forma categórica qualquer ideia de anexação ou controle externo.
Autoridades da Dinamarca, país ao qual a ilha está politicamente vinculada, afirmaram que a publicação ignora princípios básicos do direito internacional e compromete o diálogo entre aliados históricos, sobretudo no âmbito da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
Em entrevistas veiculadas no fim de semana, Trump afirmou que os Estados Unidos precisam anexar a Groenlândia “por razões de defesa”. As declarações, feitas após a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, ocorrem em um contexto mais amplo de disputas geopolíticas no Ártico, região que ganhou centralidade estratégica nos últimos anos em razão do degelo acelerado, da abertura de novas rotas marítimas e do potencial de exploração de recursos naturais.
