Estados Unidos retiram Cuba de lista de países que apoiam o terrorismo

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Medida é passo fundamental para a abertura de embaixadas em Washington e Havana e a normalização definitiva das relações entre os dois países

DA REDAÇÃO, COM THE NEW YORK TIMES – O governo Obama removeu na sexta-feira (30) Cuba da lista de países que apoiam o terrorismo no mundo, um passo crucial para a normalização das relações entre os Estados Unidos e a ilha caribenha.

O secretário de Estado, John Kerry, anunciou a decisão depois de passado o período de 45 dias após a notificação da medida ao Congresso, no dia 14 de abril, quando Obama revelou a intenção diplomática.

“Ainda que os Estados Unidos tenham preocupações significativas e amplas divergências a respeito das ações políticas cubanas, não estão aí incluídas razões relevantes para a inclusão do país numa lista de apoiadores do terrorismo,”afirmou em nota Jeff Rathke, porta-voz do departamento de Estado.

O anúncio chegou em meio a sinais de dificuldades nas negociações entre as autoridades americanas e cubanas para promover a reconciliação diplomática. Apesar de um otimismo generalizado, o debate até agora falhou num acordo para a reabertura das respectivas embaixadas em Washington e Cuba, informou o NYT.

A remoção da lista de terrorismo foi duramente criticada por vários republicanos candidatos declarados à indicação do partido para concorrer à presidência no ano que vem.

O ex-governador da Flórida, Jeb Bush, um dos prováveis candidatos, disse que a decisão é “mais uma prova de que o presidente Obama está mais interessado em render-se aos nossos adversários do que confrontá-los.”

O presidente da Câmara (Speaker of The House), John Bohner (R-OH), disse que o governo “deu ao governo de Castro um vitória política sem receber nada em troca.” Disse ainda que a Câmara vai empenhar-se para que as sanções a Cuba continuem em vigor.

Mas a facilidade com que o governo removeu Cuba da lista – um passo que políticos cubano-americanos prometeram impedir através de ações parlamentares, mas que acabaram permitindo que ele fosse dado facilmente – reflete o quanto a nova política de Obama para Cuba já mudou o debate sobre a relação entre os dois países.

Os críticos do fim do longo embargo a viagens, comércio e restrições financeiras impostas a Cuba têm visto cada vez mais seus esforços frustrados pelos acontecimentos. Embora Obama precise do Congresso para acabar com os impediementos comerciais e ao turismo, as medidas do ano passado no sentido de aliviar algumas restrições a viagens e regras comerciais abriram o caminho para voos diretos e ligações marítimas entre os dois países, além de incrementar perspectivas de negócios entre EUA e Cuba, diz a matéria do NYT.

“Quando as pessoas experimentam a liberdade elas acabam desejando mais liberdade,” disse o senador Jeff Flake (R-Ariz.), que apoia o fim das sanções. “O tempo passou para os que defendem essa velha política. Isso é muito antigo.”

A remoção de Cuba da lista – que agora somente inclui Irã, Sudão e Síria – é um passo importante para que Obama acabe com as hostilidades pós-Guerra Fria que caracterizaram as relações entre os dois países. No mês passado, Obama e o presidente cubano Raúl Castro encontraram-se no Canadá na Cúpula das América, na primeira reunião entre líderes dos dois países em meio século.