Estados Unidos vão restabelecer relações diplomáticas e restaurar comércio com Cuba

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Negociações secretas que tiveram a participação do Papa Francisco restauram as relações rompidas há mais de 50 anos entre os dois países

Os Estados Unidos vão restaurar as relações diplomáticas com Cuba, abrindo uma embaixada em Havana, depois de mais de meio século de relações rompidas com a ilha caribenha

Negociações que duraram 18 meses envolveram a libertação do empreiteiro americano Alan P. Gross, preso há cinco anos em Cuba acusado de espionagem. As conversas foram secretas e tiveram a participação do Canadá e do Papa Francisco, que foi anfitrião no Vaticano de uma conversa por telefone entre Obama e o presidente de Cuba, Raul Castro, para por fim a décadas de animosidades e começar uma nova relação entre os dois países vizinhos, distantes apenas 90 milhas um do outro.

Os EUA vão acabar com as restrições bancárias e de viagens à ilha, enquanto Cuba libertará 53 prisioneiros cubanos identificados como prisioneiros políticos pelo governo americano. Ainda que o embargo comercial de décadas permaneça de pé por ora, o governo americano sinalizou que será bem-vinda uma atuação do Congresso no sentido de abrandá-lo ou de eliminá-lo por completo.

“Hoje, os Estados Unidos dão um passo histórico para estabelecer novas relações e para fortalecer o povo cubano”, disse a Casa Branca em nota divulgada à imprensa.

Obama falou com Castro por telefone na terça-feira (16) a fim de acertar os últimos detalhes do acordo, em ligação que durou mais de 45 minutos. Foi o primeiro contato entre líderes das duas nações em mais de 50 anos, disseram autoridades do governo.

O governo disse que vai reabrir a embaixada americana em Havana e providenciar visitas de autoridades e troca de cooperações entre os dois governos nos próximos meses. Obama enviará um assessor da secretaria de estado a Havana em janeiro para liderar uma delegação americana que vai discutir assuntos como migração cubana para os EUA, o combate ao narcotráficto e assuntos ligados à política ambiental.

Os EUA vão abrandar as restrições de viagem à ilha, autorizando visitas familiares, de autoridades, jornalísticas, profissionais, educacionais, religiosas e artísticas. O turismo, entretanto, permanece ainda proibido.

O governo vai também incrementar as relações bancárias e aumentar o teto das remessas de dinheiro que podem ser enviadas para Cuba para $2,000 a cada três meses, em vez dos atuais $500. Quem viajar a Cuba será autorizado a trazer até $400 em mercadorias de lá, incluindo $100 em produtos de tabacaria e bebidas.

“Essas medidas são porque acreditamos que a política do passado não teve efeito, e acreditamos que a melhor maneira de levar democracia e prosperidade para Cuba é através de uma política diferente”, disse um alto funcionário do governo em entrevista coletiva por telefone.

O funcionário, que não pode ser identificado de acordo com as regras da Casa Branca, disse entretanto que as medidas não diminuem o foco americano na questão dos direitos humanos em Cuba. “Nossa ênfase nos direitos humanos será ainda mais forte e efetiva com esta nova política”, disse. “Discutiremos diretamente com o governo cubano sobre a questão.”