Estrangeiros casam com brasileiras de olho na cidadania

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Da Redação com El Pais – O que era para ser conto de fadas acabou em pesadelo para a brasileira Tatiane Fernandes, de 29 anos.

Depois de um namoro virtual com um mulçumano ela partiu para o Egito para começar uma ‘vida nova’, mas acabou morando dentro de um carro, sem dinheiro e teve que pedir ajuda para retornar ao Brasil. A história dela foi destaque no jornal espanhol El País.

A história dela tem se repetido e o Itamaraty e ONGs sociais acumulam casos onde estrangeiros propõem casamentos com brasileiras de olho na cidadania brasileira. “Vendi tudo o que tinha em casa a preço de banana, abri mão de muitas coisas, deixei minhas duas filhas aqui por um relacionamento pela Internet. Fui roubada, ameaçada, dormi com ratos, cheguei a sofrer de depressão e tive um derrame que paralisou a metade do meu rosto. Amo meu marido, mas foi muito sofrimento”, contou a brasileira.

O Itamaraty não tem dados sobre o fenômeno, mas alerta para o alto número de casos. Há países, como o Egito, onde sobram histórias semelhantes. “São tantos que nem se imagina. Já ajudei mais de 50 mulheres”, relata Sandra Fadel, líder comunitária brasileira no Cairo, contando os números de 2013.

O Itamaraty e a PF alertavam, conjuntamente, nos seus sites sobre a tendência após receberem “numerosas queixas de cidadãs brasileiras vítimas de roubos, fraudes e violência cometidos por cônjuges estrangeiros que conheceram pela internet e com os quais tiveram pouco ou nenhum convívio presencial antes do casamento”.

De acordo com os casos já registrados pelo Itamaraty, há um perfil para essas vítimas. Sao mulheres próxima dos 40 anos, de classe média e média-baixa, previamente casadas e seus ‘namorados’ são homens da Ásia, Oriente Médio e inclusive da África com os quais se casam, por procuração ou presencialmente, após pouco ou nenhum tempo de convivência.

“Destes relacionamentos podem surgir dois problemas: um é o do estrangeiro pleiteando o visto para vir para o Brasil, e em alguns casos ele entra no país e nunca mais dá notícias à mulher, e o outro é quando ela vai para o país estrangeiro e acaba tendo graves problemas de adaptação, violência ou até fraude”, explica Marcelo Ferraz, assessor da Divisão de Assistência Consular do Itamaraty.

Tatiane, que se converteu ao Islamismo ainda no Brasil, foi para o Cairo mas a vida em comum com a família do namorado não durou muito. Após dois anos de bate-papos noturnos pelo Skype, ela resolveu visitá-lo por um mês, mas na primeira semana foi expulsa de casa depois de ser roubada e apanhar dele, segundo ela, por pressão dos cunhados e cunhadas. “Não sei o que farei, não sei se vou voltar, não me arrependo de ter ido, mas dou esta entrevista para que outras mulheres pensem antes de fazer o que eu fiz”, disse.