EUA admitem cronograma para o Iraque, mas rejeitam ultimatos

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A Casa Branca admitiu na segunda-feira que está usando o cumprimento de “marcos” para avaliar o progresso do governo iraquiano em relação aos problemas de segurança, mas disse que esses marcos não têm nenhuma ligação com ultimatos.

Autoridades norte-americanas rebateram uma reportagem publicada no fim de semana pelo New York Times que dizia que o governo Bush está elaborando um cronograma para reforçar a pressão sobre o governo iraquiano e acelerar o processo de entrega da responsabilidade pela segurança do país.

A reportagem do New York Times, que usou como fontes autoridades norte-americanas não-identificadas, disse que pode haver uma mudança de estratégia militar no Iraque se os iraquianos se recusarem a adotar o cronograma ou não cumprirem critérios decisivos.

A Casa Branca já disse que o conteúdo da reportagem “não era correto”. Numa rodada de entrevistas em programas matutinos de TV na segunda-feira, o conselheiro da Casa Branca Dan Bartlett disse que realmente existem alguns critérios e marcos a serem cumpridos pelo governo iraquiano.

“Fiquei um pouco intrigado com a reportagem do fim de semana, porque ela falava de algo sobre o que falamos publicamente há meses”, disse Bartlett ao “Early Show”, da CBS.

“Nosso embaixador no Iraque vem trabalhando com o governo iraquiano para fazer exatamente isso, encontrar marcos e critérios demonstráveis para que possamos delegar um maior controle da segurança.” Ele acrescentou que a reportagem exagerou ao tentar fazer disso um fato novo.

As pesquisas de opinião prevêem que os republicanos vão perder o controle de uma ou das duas casas do Congresso nas eleições parlamentares de 7 de novembro, e para muitos o Iraque é o principal assunto da campanha.

Por causa das eleições, o presidente George W. Bush vem tentando demonstrar flexibilidade em relação à guerra, mas a Casa Branca já indicou que a possível revisão da estratégia não é algo iminente.

Segundo o porta-voz da Casa Branca, Tony Snow, não há ameaça de retirada das tropas sendo feita para os iraquianos.

“Estamos dando ultimatos? Não”, disse Snow a repórteres. “Estamos dizendo: vocês têm de fazer uma coisa até certa data? O que estamos fazendo é trabalhar com eles na questão prática de fazer o serviço. É um esforço de colaboração.”

O secretário da Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, já sinalizou que há algum tipo de cronograma sendo elaborado. “O embaixador e o general (George) Casey estão trabalhando com o governo iraquiano para criar um conjunto de projeções sobre quando poderão transmitir vários tipos de responsabilidade”, afirmou Rumsfeld a repórteres na sexta-feira.

Apesar de ter dito não saber de nenhum cronograma, o porta-voz da Defesa Eric Ruff disse na segunda-feira que o Pentágono espera uma ação mais rápida do Iraque. “Estamos falando e trabalhando com os iraquianos há vários meses. Gostaríamos de ver progressos um pouco mais rápido.”