EUA alcançaram marca de 300 milhões de habitantes nesta terça-feira

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Os Estados Unidos são o terceiro país, depois de China e Índia, a chegar a 300 milhões de habitantes, marca que confirma seu status de nação industrializada com maior crescimento demográfico do mundo.

Os imigrantes, principalmente os hispânicos, são um dos motores do crescimento populacional, segundo o Censo. Aproximadamente 40% do crescimento da população são resultado da imigração, tanto legal quanto ilegal, segundo o órgão.

O demógrafo Jeffrey Passel, do centro de estudos Pew Hispanic Center, sustenta que aproximadamente a metade dos últimos 100 milhões de habitantes é formada por imigrantes e seus filhos.

Sem eles, diz Passel, a população dos EUA seria de quase 247 milhões. O número de hispano-americanos estaria em torno de 16 milhões, em vez dos 44 milhões atuais, e os de origem asiática seriam 2 milhões, e não 13 milhões.

Superação

A barreira será superada 39 anos após a dos 200 milhões de habitantes e 91 anos depois de a população chegar aos 100 milhões.

Segundo o site do Censo, a cada sete segundos nasce uma pessoa, a cada 13 morre uma e a cada 11 segundos a população aumenta em uma pessoa. Além disso, a cada 31 segundos o terceiro país mais povoado do planeta ganha um novo imigrante.

Ao ritmo atual, os EUA alcançarão os 420 milhões em 2050. O número de brancos não-hispânicos será de apenas 50%, contra os 69% atuais, segundo as estatísticas oficiais, que mostram que os hispânicos representarão então por volta de 25% da população.

As projeções apresentam oportunidades e também desafios, segundo os especialistas, que alertaram para os problemas ambientais. Mesmo com apenas 5% da população mundial (6,5 bilhões de habitantes), os EUA gastam quase 25% da energia global e têm a maior taxa de consumo de petróleo do planeta.

Lixo

Além disso, cada americano produz cerca de 2,3 quilos de lixo por dia, cinco vezes mais do que a média dos países em desenvolvimento.

As alternativas também são preocupantes. Europa e Japão, que se encontram na situação paradoxal de pedir a suas mulheres que tenham filhos, são dois bons exemplos.

Com uma população de quase 728 milhões, a Europa perdeu 74 mil habitantes na última década, segundo as Nações Unidas. O continente deverá apresentar 75 milhões de habitantes a menos em 2050.

A tendência cria um grave problema: não haverá suficiente gente jovem para sustentar uma população cada vez mais velha.

Os EUA também têm o problema inverso –12% da população têm 65 anos ou mais. Mas as taxas de fertilidade e imigração mais altas fazem o país envelhecer mais lentamente que a Europa.

Filhos

Em média, as mulheres precisam ter 2,1 filhos para que a população se mantenha estável. Na Europa, só a Albânia registra uma taxa de fertilidade acima de 2 filhos, segundo a CIA (inteligência dos EUA). Na Rússia, a taxa é de 1,28 filho no Japão, 1,25. Nos EUA, ela se aproxima de 2,1 filhos.

Gregg Easterbrook, do centro de estudos Brookings, com sede em Washington, lembra em artigo publicado este mês no jornal “Los Angeles Times” que o nível atual permite manter a população estável. Portanto, todo o crescimento futuro “virá da imigração”.

Os EUA continuam em processo de transformação desde que atingiram a marca de 200 milhões, em 1967. Nestas quatro décadas houve um forte movimento migratório do nordeste e do centro do país rumo ao sul e ao oeste.

Além disso, ocorreu uma grande concentração de população nos arredores das grandes áreas metropolitanas e caiu o número de pessoas por casa: de 3,3 pessoas em 1967 para 2,6 pessoas em 2005.

Outro dado importante é o aumento da participação das mulheres na força de trabalho. Ele passou de 41 para 59% entre 1967 e 2006. Subiu também a porcentagem de habitantes americanos nascidos no exterior: de 5% para 12%.