As fraudes envolvendo empréstimos concedidos pelo governo dos EUA durante a pandemia são investigadas há anos. A novidade agora é o tamanho da ofensiva: a Small Business Administration (SBA) suspendeu cerca de 870 mil mutuários ligados a aproximadamente US$ 39 bilhões em empréstimos com indícios de irregularidades.
Boa parte dos casos envolve o PPP, criado para ajudar pequenas empresas durante a Covid-19, além do programa EIDL. No PPP, quem cumprisse as regras podia ter o empréstimo perdoado e não precisava devolver o dinheiro. Portanto, ter recebido o benefício e conseguido o perdão não significa fraude.
O governo está mirando casos com possíveis irregularidades, como empresas fictícias, informações falsas sobre funcionários e faturamento ou uso da identidade de outras pessoas.
Na prática, os 870 mil suspensos ficam impedidos de obter novos empréstimos da SBA. Além disso, mais de 560 mil empréstimos, que somam cerca de US$ 22 bilhões, já foram enviados ao Tesouro para cobrança.
As consequências podem ir além da devolução do dinheiro. Casos com indícios de crime podem ser encaminhados ao Departamento de Justiça e resultar em processo criminal e até prisão, em caso de condenação. Uma operação federal realizada entre junho e setembro já envolveu mais de 160 réus em casos relacionados a fraudes em empréstimos da pandemia.
A suspensão, porém, não significa que todos os 870 mil tenham cometido fraude ou sido condenados. Os casos foram identificados pelo governo por apresentarem sinais considerados suspeitos e ainda podem passar por cobrança, investigação ou processo criminal.
