EUA e Colômbia firmam acordo polêmico de livre-comércio

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Os governos dos Estados Unidos e da Colômbia firmaram na quarta-feira um acordo de livre-comércio, apesar das fortes objeções do Partido Democrata no Congresso, que ameaça impedir a aprovação do pacto.

A cerimônia, na sede do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), encerrou mais de dois anos e meio de discussões sobre o acordo, visto pela Casa Branca como uma ferramenta importante para estabilizar o país andino.

“O acordo vai aprofundar e fortalecer nossas relações comerciais, gerando novas oportunidades para que empresas, fábricas, agricultores e fazendeiros dos EUA exportem seus bens e serviços para uma das economias mais robustas da América Latina”, disse o vice-representante comercial dos EUA, John Veroneau.

Falando a jornalistas depois do evento, ele admitiu que algumas cláusulas talvez tenham de ser renegociadas com os democratas, que a partir de janeiro assumem o controle do Congresso.

“Estamos interessados em apoio bipartidário para este acordo e nos sentaremos de boa-fé e com mente aberta para trabalhar com a maioria democrata no próximo ano e ver o que é necessário e possível para aprovar esse acordo”, disse Veroneau.

Líderes democratas criticaram o governo Bush por assinar o acordo sem se preocupar com as garantias trabalhistas. Eles reivindicam que a Colômbia seja obrigada a cumprir normas trabalhistas internacionais, como liberdade de associação, direito de negociação coletiva, proteção contra discriminação no local de trabalho e abolição do trabalho infantil.

Os democratas apresentam as mesmas objeções ao acordo de livre-comércio com o Peru, que também aguarda aprovação no Congresso.

A maioria dos produtos colombianos já tem livre acesso ao mercado norte-americano desde 1991, graças a um programa, prestes a vencer, destinado a ajudar a região andina a combater a produção de cocaína.

O acordo de livre-comércio consolida e amplia os benefícios comerciais, mas exige da Colômbia que abra seus mercados a mais produtos agrícolas, manufaturados e de serviços norte-americanos, como bancos e telecomunicações.

O comércio bilateral foi de 14,3 bilhões de dólares em 2005. Máquinas, produtos químicos e produtos agrícolas lideram as exportações dos EUA. Petróleo, outros produtos energéticos, vestuário e flores são os principais itens da pauta colombiana.

Grupos empresariais dos EUA prometem se empenhar na aprovação do acordo, enquanto o poderoso AFL-CIO –a maior organização sindical norte-americana– disse que o tratado deveria ser arquivado até que a Colômbia resolva seu longo histórico de violência contra sindicalistas.

“Esse (a Colômbia) é essencialmente um país onde há condenação a morte para ativistas sindicais”, disse Thea Lee, diretora-política da AFL-CIO.

Uma ONG colombiana estima que 2.248 sindicalistas foram mortos desde 1992, sendo 56 neste ano, e a maior parte dos crimes fica impune, segundo Lee.