EUA estudam diálogo com Irã e Síria sobre o Iraque, diz “Times”

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Um relatório elaborado pela comissão bipartidária conhecida como Grupo de Estudos para o Iraque –que analisa alternativas para o conflito no país– sugere que os EUA tenham conversas diretas com o Irã e a Síria, segundo o jornal “The New York Times”.

Segundo o “Times” –que cita fontes oficiais que falaram em condição de anonimato–, a proposta pode ser aprovada pela comissão. No entanto, o grupo deve se dividir a respeito da instituição de um cronograma a respeito da retirada das tropas americanas do país, segundo o jornal.

O relatório deve servir de base para as discussões entre os dez membros da comissão liderada pelo ex-secretário de Estado, James Baker, e por Lee Hamilton, ex-congressista democrata do Estado da Indiana. A reunião deverá ter início hoje e poderá se estender por mais dois dias.

O documento –cuja preparação foi anunciada antes mesmo da vitória democrata nas eleições legislativas de 7 de novembro– deve ser entregue ao presidente George W. Bush em dezembro.

Bush, que na quarta-feira (29) se encontra com o premiê iraquiano, Nouri al Maliki, na Jordânia, não é obrigado a aprovar as recomendações da comissão.

No entanto, de acordo com o “Times”, a influência do grupo é significativa, devido ao seu caráter bipartidário e por ser comandado por Baker — um republicano que é amigo próximo de George Bush (pai) e serviu o governo durante sua administração.

Os Estados Unidos se recusaram, em diversas ocasiões, a negociar com o Irã e a Síria para que os países ajudem a trazer estabilidade para o Iraque, acusando Teerã e Damasco de ajudarem grupos insurgentes que atuam no país. Mas a administração de Bush vem sendo pressionada para mudar sua estratégia e abrir um canal de diálogo com os dois países.

Visita

Nesta segunda-feira, após a suspensão do toque de recolher no país e a reabertura do aeroporto internacional de Bagdá, o presidente iraquiano, Jalal Talabani, seguiu para uma visita a Teerã, onde deve se reunir com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

Medidas rígidas de segurança haviam sido impostas após uma série de ataques que matou mais de 200 pessoas na região de Sadr City, bastião xiita em Bagdá, na última quinta-feira (23).

A reunião, que visa discutir o papel iraniano na manutenção da estabilidade no Iraque, foi planejada no sábado (25).

O Iraque retomou as relações diplomáticas com o Irã em 1990, após o fim da guerra que durou dez anos e matou cerca de 1 milhão de pessoas. As relações entre os dois países melhoraram após a queda do regime do ex-ditador Saddam Hussein, que é sunita.

Os xiitas são maioria entre as populações do Iraque e do Irã.

Ontem, Ahmadinejad disse que o Irã está disposto a ajudar os EUA a “colocar fim à situação atual” do Iraque, caso o governo de Bush pare de “agredir e insultar” seu país.

Tropas

De acordo com o “Times”, a comissão liderada por Baker e Hamilton estuda propostas de retirada de um número significativo de soldados dos EUA no Iraque em um ano, mesmo que as tropas iraquianas não estejam preparadas para assumir o controle da segurança do país.

Segundo o jornal, os membros do grupo poderá enfrentar divergências sobre a questão.

O Exército americano informou hoje que três de seus soldados morreram e outros dois ficaram feridos em ‘operações de combate’ neste domingo em Bagdá. Um comunicado do comando militar dos EUA não especifica o local da capital iraquiana onde ocorreram as ações.

Com as mortes, são 52 os soldados americanos mortos no Iraque durante o mês de novembro.

Um total de 2.875 soldados americanos morreram no país desde que começou, em 2003, da invasão e a posterior ocupação do país por tropas multinacionais lideradas pelos EUA.