EUA limita programa de vistos para estudantes

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O programa foi criado para mostrar aos estrangeiros como é a vida nos Estados Unidos

O Departamento de Estado publicou nesta segunda-feira novos limites ao seu programa de intercâmbio estudantil, contaminado por persistentes problemas que incluiu participantes obrigados a dormir em albergues de indigentes, uma greve de protesto por condições trabalhistas em uma fábrica e uma jovem forçada a trabalhar como stripper.

O Departamento anunciou as novas regras que limitam o número de futuros participantes ao nível deste ano e estabelece uma moratória sobre negócios que desejam converter-se em patrocinadores de milhares de estrangeiros que usam o programa para visitar os Estados Unidos.

As mudanças no programa J-1 foram anunciadas 11 meses depois de a Associated Press reportar diversas violações ao programa, incluindo estudantes que tinham trabalhos de um dólar ou menos por hora.

Os estudantes que recebem os vistos temporários por até quatro meses precisam ter um emprego e geralmente trabalham em hotéis e restaurantes. A participação aumentou de cerca de 20 mil em 1996 para um pico superior a 150 mil em 2008. Aproximadamente um milhão de estudantes universitários participaram do programa na última década.

O Departamento de Estado implantou normas mais rígidas este verão, mas admite que ainda persistem muitas queixas. Por isto, afirmou que a participação futura estará limitada aos níveis de 2011.

A constatação mais evidente das queixas dos trabalhadores do programa surgiu em agosto, quando dezenas de estudantes protestaram contra as condições trabalhistas em uma fábrica de chocolates da Hershey’s na Pensilvânia, queixando-se dos trabalhos duros e dos descontos no pagamento pelo aluguel que os deixava com muito pouco dinheiro.

O programa foi criado para mostrar aos estrangeiros como é a vida nos Estados Unidos e fomentar a compreensão entre as culturas, mas, à medida que cresceu a participação, também aumentaram os problemas.

Depois de anos de queixas de um dos programas mais populares do Departamento de Estado, o órgão revisou as regras este verão para delegar mais responsabilidade às 53 entidades que o departamento designa como patrocinadores oficiais do programa.