EUA vão intensificar fiscalização a trabalhadores indocumentados

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Chertoff, do departamento de Segurança nacional, critica empresário

O secretário do Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Michael Chertoff, fez um alerta a empresários e empregadores: o governo vai intensificar o cerco contra os trabalhadores indocumentados no país. Segundo ele, não há a menor possibilidade de relaxamento nas leis de imigração e quem as desobedecer poderá receber multas pesadas. “Todos os empregados de todas as empresas americanas devem preencher o formulário para exercer seu ofício na América”, afirmou Chertoff.

Há algumas semanas, vários empresários, inclusive membros da Câmara de Comércio dos EUA, iniciaram um movimento no sentido de tentar reverter a rigidez das normas que impedem indocumentados de atuarem em setores básicos da economia. O argumento usado era de que o Department of Homeland Security (DHA), comandado por Chertoff, deveria analisar os impactos econômicos de tal regulamentação: “Muitos negócios vão quebrar se não mudarmos as leis”, disse um comerciante.

O movimento não sensibilizou o secretário, que criticou os empresários, de forma até severa. “A comunidade empresarial gosta de contratar imigrantes indocumentados porque pagam menos e os empregados não têm a quem se queixar. Essa ganância vai custar caro”, disse Chertoff. Ele acrescentou que as medidas têm surtido efeito e o governo tem conseguido reduzir a imigração ilegal no país.

Desde de setembro, o Departamento de Imigração (USCIS, na sigla em inglês) colocou em funcionamento o programa E-Verify, que permite às autoridades comprovar se os trabalhadores têm autorização legal para exercer as funções a que são submetidos. Os empregadores devem completar o formulário I-9 para cada um de seus funcionários estrangeiros, sob pena de pesadas multas. “Estamos aplicando as leis e esta é a nossa função. O Congresso não nos deu autorização para que fosse ampliado o programa de trabalhadores temporários e, até que eles aprovem a reforma imigratória, vamos continuar fazendo o nosso trabalho”, decretou Chertoff, enfatizando que há maneiras legais para contratação de trabalhadores estrangeiros.

Protestos

Manifestações pró-reforma vão marcar 1º de Maio

Polícia já se prepara para evitar desordem com grande número de imigrantes

Enquanto as entidades de apoio aos imigrantes nos Estados Unidos se organizam para transformar o Primeiro de Maio numa grande manifestação em favor de uma reforma imigratória justa e ampla, os policiais das corporações em cidades com grande presença de estrangeiros se preparam para enfrentar possíveis desordens nos atos marcados para a data, que marca ainda o primeiro aniversário dos incidentes em McArthur Park. A maior preocupação é em Los Angeles, onde no ano passado centenas de imigrantes foram atacados enquanto marchavam pacificamente.

O chefe de polícia de Los Angeles, William Bratton, convocou uma entrevista coletiva para pedir aos imigrantes da Califórnia que superem o trauma causado pelo confronto de 2007. “A vida continua, temos que olhar para o futuro”, afirmou Bratton, garantindo que torce para que o Congresso aprove logo a reforma que traria a regularização de milhões de indocumentados. Em 1º de maio do ano passado, oficiais reprimiram a passeata com balas de borracha e gás lacrimogênio, com o intuito de dispersar a multidão no Parque McArthur. Até hoje, 22 membros da corporação ainda estão sob investigação pelo uso de força excessiva. Também em Miami, os policiais já foram colocados em alerta para evitar confusões no dia 1º de maio.

“Tudo está acontecendo conforme o planejado”, garantiu Juan José Gutiérrez, diretor do Movimento Latino USA. Ele afirmou que os principais pontos de concentração serão nos estados do Arizona, Novo México, Nova York, New Jersey, Illinois, Washington, Virginia, Flórida, Califórnia, Ohio, Georgia, Texas, Massachussets e ainda em Washington DC. O maior objetivo da ação é pressionar o governo a aprovar a legalização de quase 20 milhões de indocumentados que já vivem no país. No entanto, nas últimas semanas, ganhou força um outro aspecto da passeata: exigir que os agentes de imigração cancelem as batidas: “Estamos preocupados, pois estas operações estão dividindo famílias e acabando com a dignidade dos imigrantes”, completou Gutiérrez.