Ex-prefeito de Montes Claros, Luiz Tadeu Leite continua procurado em Miami

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Informação de que teria sido preso no dia 3 não foi confirmada pela Interpol

Luiz Tadeu LeiteDa redação com G1 – O ex-prefeito de Montes Claros (MG) Luiz Tadeu Leite está entre as pessoas procuradas pela International Criminal Police Organization (Interpol). Um mandado judicial foi expedido contra Tadeu Leite na operação “Violência Invisível”, deflagrada nesta terça-feira (2), pela Polícia Federal brasileira. Na ocasião foram presos, no Brasil, os ex-gestores de Janaúba e Pirapora, além de cinco outras pessoas. A informação de que ele havia sido preso em Miami na tarde do dia 3 de julho não foi confirmada pela Polícia Federal brasileira.

A operação teve como foco o combate ao desvio de recursos públicos, que ocorria por meio de licitações direcionadas e compensação ilegal de precatórios judiciais. De acordo com a PF, o golpe teria causado prejuízo de R$ 72 milhões somente em Minas Gerais, e outros 100 municípios em 11 estados também teriam relação com a quadrilha.

Durante coletiva de imprensa na terça-feira, o delegado Marcelo de Freitas disse que Luiz Tadeu Leite é considerado foragido da Justiça. Ele afirmou também que o ex-prefeito está em Miami. Segundo o serviço de inteligência da polícia, o procurado está no exterior desde 14 de maio deste ano.

Sânzio Baioneta, advogado de Luiz Tadeu Leite, esteve na delegacia da PF e disse que seu cliente não é foragido da Justiça Brasileira, e que ele se encontra fora nos Estados Unidos em tratamento médico, após ter passado por uma intervenção cirúrgica.

Entenda o esquema

O delegado da Polícia Federal Marcelo de Freitas explica que o Tribunal de Contas do Estado comprovou que havia o direcionamento das licitações para aquisição dos precatórios judiciais, que posteriormente eram compensados de forma ilegal pelos municípios. “O esquema de venda de precatórios podres era oriundo do Espírito Santo e um grupo empresarial comercializava os títulos inidôneos em todo o estado de Minas Gerais, permitindo a sangria de milhões de reais dos cofres públicos”, afirma Freitas.

O delegado esclarece que a lei federal nº 9.430/96 proíbe a compensação tributária de títulos adquiridos de terceiros, mas, mesmo assim, os municípios envolvidos na fraude os adquiriam para esse fim. Além disso, os títulos eram falsos.

Durante a coletiva da PF, foram divulgados documentos nos quais Cláudio Maia Silva e Ângelo da Silva Marinho assinavam como se fossem auditores fiscais da Receita Federal, mas com as investigações foi comprovado que ambos nunca foram funcionários do órgão.
Durante a semana, informações desencontradas davam conta que o ex-prefeito Luiz Tadeu Leite tinha seu apartamento em Miami cercado por agentes da Polícia Federal brasileira e do FBI (a polícia federal americana). Mais tarde, outras informações sobre sua possível prisão vazaram para a imprensa, mas foram negadas pela PF, no Brasil.

A mesma operação já prendeu outros dois ex-prefeitos: José Benedito Nunes, que comandou a prefeitura de Jarnaúba e também foi ex-delegado da Polícia Civil, e Warmilon Fonseca Braga, ex-prefeito de Lagoa dos Patos e Pirapora e que também presidiu o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Foram detidos ainda o advogado e ex-procurador da prefeitura de Montes Claros, Sebastião Vieira Filho, além de Robson Luiz Veloso e Antônio José Lima Oliveira.

Ao todo, estão sendo cumpridos 53 mandados judiciais: nove de prisão de prisão temporária, 20 de busca e apreensão, 21 de sequestro de valores, bens móveis e imóveis, e três para prestar depoimento na delegacia. Os presos responderão por crimes contra a administração pública, formação de quadrilha, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro, fraude às licitações, corrupção ativa e passiva, dentre outros. Se condenados, as penas máximas aplicadas aos crimes ultrapassam 30 anos.