Falta de pagamento resulta em corte de água no Blue Lake

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Brasileiros representam mais da metade dos residentes do condomínio de Pompano Beac

A brasileira Daise Vieira, que reside no Blue Lake, em Pompano Beach, foi surpreendida na última quarta-feira quando se preparava para escovar os dentes pela manhã e não encontrou água na torneira. Do mesmo modo, um outro morador do condomínio, o americano Peter Lynch, ficou sem o café matinal… nada de água na casa dele também. Aliás, as mais de mil pessoas que vivem naquele endereço passaram um dia inteiro ‘na seca’ porque as autoridades de Broward cortaram o abastecimento por falta de pagamento: segundo os registros, a administração do Blue Lake deve cerca de oito mil dólares referente às contas dos últimos dois meses. E o pior é que o condado já avisou que vai promover outros cortes de água

O gerente dos serviços de água e esgoto de Broward, Ken Wilson, confirmou que a situação do condomínio não é boa: em janeiro, um cheque enviado pela administração do residencial voltou por falta de fundos. Ninguém no residencial, que fica na Sample Road, quis comentar o caso na tarde quinta-feira à reportagem do AcheiUSA. A gerente de manutenção, identificada apenas como Rosalyn, não retornou as ligações. No entanto, o jornal Sun-Sentinel apurou que mais de 60% dos proprietários estão em débito no pagamento das taxas condominiais, no valor de 328 dólares por mês e que abrangem as contas de água. “Uma família apenas deve mais de 15 mil dólares”, lamentou Lynch, o americano que ficou sem o café da manhã. Por isso, o administrador falou, em reunião privada com os moradores, que está impossível arcar com todas as despesas do residencial. Um grupo de moradores tentou, de porta em porta, cobrar dos devedores.

O fato é confirmado pelos muitos brasileiros que moram lá e representam mais da metade dos residentes. “Muita gente avisou que não vai pagar, porque já deixaram de pagar o mortgage mesmo e sabem que vão ser despejados mesmo. Isso prejudica quem paga as contas em dia e quer continuar vivendo no condomínio”, disse Daise, inconformada. Ela gostaria de se mudar, mas não consegue vender sua town-house. Por sua vez, o também brasileiro João Ferraz estava, no mesmo dia, carregando sua caminhonete com os poucos móveis e roupas que ele tem. Mesmo vinculado a um contrato de aluguel que só termina em maio, ele preferiu perder dinheiro a continuar morando no Blue Lake. “Infelizmente está tudo muito abandonado aqui e eu acabei conseguindo um outro local mais barato”, comentou o rapaz, ressaltando que em muitas noites não há sequer segurança na guarita e o portão fica sempre aberto.

“São pessoas trabalhadoras, mas a situação econômica do país não é boa e muitos estão sem trabalho. Não podemos culpar os moradores”, disse Lynch. O advogado Max Whitney concorda. Para ele, a crise é geral e muitas pessoas – inclusive cidadãos – passam por dificuldades em virtude do alto índice de desemprego. “Quem está em situação legalizada ainda recorre ao auxílio-desemprego, mas para os indocumentados não há muita saída”, afirmou. No entanto, ele disse que os inocentes não podem pagar pelos culpados. “Se alguém paga em dia as suas taxas condominiais e eventualmente ficar sem água pode, e deve, recorrer à administração para ter o serviço restaurado”, explicou o advogado. Max falou, inclusive, que tem notícias de que muitos condomínios estão enfrentando o mesmo problema no sul da Flórida.