Family Central recusa apoio a criança com Síndrome de Down

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Lohan, quatro anos, está fora da escola. A mãe é indocumentada e não pode levar a filha quando vai trabalhar como faxineira


Desde o início de agosto, a estudante Lohan Morelli Braga, quatro anos, portadora de Síndrome de Down, está fora da escola devido a burocracia do Family Central. A mãe, a brasileira Vanusa Morelli, 42 anos, acusa funcionários do Family Central, uma ONG que oferece apoio a famílias de baixa renda, de intransigência e discriminação. Vanusa é indocumentada, mas a filha nasceu nos Estados Unidos.

A paulistana conta que a filha vinha recebendo benefício escolar desde quando tinha dois anos. “A cada cinco meses, eu tinha que renovar o pedido, uma grande burocracia, mas as coisas foram ficando cada vez piores e agora é impossível se adequar a tantas exigências”, conta a mãe que confessou estar em grandes dificuldades.

Devido à Síndrome de Down, Lohan tem muitos problemas de adaptação. Segundo a mãe, a menina ainda não entendeu que não pode ir a escola onde frequentava desde os dois anos e continua se preparando toda manhã para ver as professoras e amigos. “Eles (funcionários do Family Central) não querem saber o impacto que isto está causando na vida da minha filha”, declarou indignada a mãe da criança.

Lohan precisa de diferentes terapeutas para tentar minimizar a sua dificuldade de adaptação. Entre eles, a menina precisa de fonaudiologia e terapia ocupacional. Lohan tem atraso mental de um ano e a mãe teme que o problema fique ainda mais grave, caso não tenha acesso ao atendimento especial.

Peregrinação

Vanusa conta que as constantes indas e vindas ao Family Central se tornaram um pesadelo. Ela, que vive sozinha e não tem apoio do pai da menina, não pode trabalhar enquanto Lohan não voltar para a escola. Por enquanto, a família tem vivido com o pouco que a menina recebe de seguro social e de alguns clientes de limpeza que ela atende.

A mãe lembrou que a burocracia, toda vez que precisou renovar o pedido de beneficio com o Family Central, foi ficando cada vez maior e desde o início de agosto a escola em que Lohan frequentava não foi mais paga. Vanusa trabalha limpando casas e, com as constantes mudanças de clientes, fica quase impossível comprovar renda.

Por ser indocumentada, Vanusa não tem como provar residência, mesmo assim conseguiu um empréstimo e pôde transferir uma conta de luz em seu nome. “Depois de tantos documentos, idas e vindas ao Family Central, consegui a conta de luz e voltei com o papel ao escritório deles. Mesmo assim, continuram impondo novas barreiras e agora cortaram o benefício da menina”, desabafou.

A opção de voltar ao Brasil, onde tem família, é também outra dura batalha para as duas. O pai de Lohan desapareceu e não consegue ser encontrado para legalizar a situação da garota. Para conseguir o passaporte da criança, a mãe precisa que o pai lhe dê a guarda definitiva. “Não posso sair do País com ela e não tenho ninguém aqui. Se eu retornar, ela irá para alguma instituição americana”, contou a mãe que está apelando para todo mundo. O duro é que Vanusa não tem a menor ideia do paradeiro do pai da criança e as leis impedem que ela possa viajar sem a autorização paterna.

Ela enviou cartas a vários políticos pedindo que garantam o direito da filha, cidadã americana.”Para ter uma ideia, até carta para a Casa Branca eu enviei”, revelou a mãe dedicada.