Famoso jornalista admite ser ilegal

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Ganhador do Prêmio Pulitzer, confessou que apesar da notoriedade vive ilegalmente nos EUA

O Internews, website de notícias criado por Leila Cordeiro e Eliakim Araújo, trouxe uma história sensacional, que vem sendo contada pela mídia americana desde quarta-feira. Um premiado jornalista, que ganhou o Pulitzer, o principal prêmio do jornalismo americano, pela cobertura do massacre na Universidade Virginia Tech, veio a público e revelou um segredo guardado há quase duas décadas: Sou um imigrante ilegal.

Jose Antonio Vargas disse que é como milhões de imigrantes que vivem nos EUA sem documentos. E desabafou: Estou cansado, não quero mais essa vida. Vargas declarou que tirou um peso das costas e agora vai pressionar
o Congresso pela aprovação do Dream Act, que permitiria a pessoas como ele se tornarem cidadãos, desde que se formem em universidades americanas ou sirvam nas forças armadas.

A história de Vargas tem lances emocionantes.

Quando tinha 12 anos, sua mãe o enviou para a Califórnia para viver com os avós. Ele não sabia nada sobre imigração e só veio a saber quando tinha 16 anos e foi requerer a carteira de motorista. O funcionário que o atendeu, depois de examinar seu greencard, disse: “Isso é falso, não volte aqui novamente”.

Só aí Vargas soube que seu avô, na tentativa de ajudá-lo, comprou documentos falsos. Mas Vargas não se intimidou, concluiu o ensino médio e foi aceito na San Francisco State University com bolsa de estudos integral.

Depois de formado, Vargas passou por situações difíceis na busca de estágios e empregos. Ora era aceito, ora recusado, por falta de documentos. Até que um de seus mentores conseguiu que ele tirasse a carteira de motorista no Oregon. Mas durante todo esse tempo tem vivido com números falsos de Social Security e passaporte.

Apesar de todas as dificuldades, Vargas chegou ao famoso Washington Post, onde ganhou o prêmio Pulitzer.

O que vai acontecer a Vargas, agora que seu segredo foi revelado, ninguém sabe. Ao pé da letra, ele teria que ser preso e processado pelo uso de documentos falsos, mas quem terá peito para fazer isso num país onde os políticos usam o problema imigratório para conseguir votos?

E todos que contribuíram para que ele chegasse até onde chegou, também seriam punidos?

Marissa Graciosa, da Reforma Imigratória para América, aproveitou a oportunidade para cobrar do presidente Barack Obama uma tomada de posição em relação a este tema tão candente.

Agora, a bela história de Vargas pode ser o ponto de partida para a prometida reforma imigratória, prioridade de Obama quando candidato e que cada vez mais vem provocando divisões entre republicanos e democratas.