Filha de brasileira é entregue ao pai acusado de abuso sexual

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A., de seis anos, chegaria na quinta-feira (3) em Stuart, Flórida

Joselina Reis

DA REDAÇÃO – “Eu sei que quando colocar os pés na Flórida eu vou ser presa, mas não me importo. Minha filha está em perigo”, disse a pernambuca K.J.A. em entrevista por telefone na quarta-feira (2). Ela tomou essa atitude depois de perder na corte texana na quarta-feira seu último recurso para manter a filha, de seis anos, longe do pai, o americano Patrick Joseph Galvin, de 53 anos. Ele está na lista de pedófilos divulgada pelo estado da Flórida.

Na quarta-feira (2), a brasileira, com ajuda de uma advogada voluntária, teve seu pedido de manter a filha no estado do Texas negado e teve que ver a filha por poucos minutos antes que ela fosse levada para o aeroporto. A justiça determinou, em outubro do ano passado, que a menina fosse devolvida ao pai, alegando que K. desobedeceu ordem judicial quando saiu da Flórida há dois anos.
Na quinta-feira (3), a pernambucana recebeu apoio do IAC ( Centro de Assistência ao Imigrante) que está oferecendo tradução e encaminhamento a uma advogada na Flórida. Os custos iniciais do processo estão orçados em $10 mil. Por pedido da nova advogada, fotos e nomes não serão publicados pela nosso reportagem.

A brasileira afirma que fugiu da Flórida porque o ex-marido abusou sexualmente da filha. Depois de anos vivendo escondida no Texas com a menina, K. foi encontrada em janeiro deste ano e ficou 23 dias presa. Agora, responde em liberdade pelo crime de sequestro. K. disse que fugiu quando o marido conseguiu na Justiça o direito de ver a filha.

Após a prisão da mãe, a menina foi enviada a um abrigo provisório cadastrado junto ao Department of Families e Protective Services, departamento semelhante ao Conselho Tutelar no Brasil. As duas teriam se encontrado poucas vezes desde a prisão e sempre monitoradas. Agora, explica K., o juiz que decidiu o destino das duas proibiu as visitas e condenou ela, a mãe, a pagar pensão de $250 mensais ao pai da garota. “Este é um caso comprado. Meu ex-marido tem influência e conseguiu tirar a minha filha dos meus braços”, reclama a brasileira.

Ela garante que não tem recursos para pagar advogado e teme pela vida da filha que vai morar em Stuart, no condado de Martin, apenas com o pai. “Eu não quero que a minha filha vire uma estatística”, contou emocionada, se referindo à série de reportagens publicadas pelo jornal Miami Herald. A série conta a história de mais de 400 crianças que morreram nas mãos de pais abusivos nos últimos seis anos na Flórida, mesmo depois dos órgãos competentes terem sido avisados sobre o perigo.

K. conta que muitos falaram em ajudá-la mas até agora ela não conseguiu nada. “Eu estou aqui, sem dinheiro, sem advogado e com um carro velho que não chega até a Flórida”, revelou, lembrando que sua família em Pernambuco tenta sensibilizar as autoridades brasileiras sobre seu caso, sem sucesso até o momento.

Segundo a Delegacia da Flórida, o pai da criança foi condenado por um crime em 1996, mas não chegou a ser preso – passou cinco anos em liberdade condicional e atualmente não cumpre nenhum tipo de pena, mas segue sendo investigado. Ele foi incluído na lista de “sexual offender” (predadores, em português) por ter apresentado comportamento inadequado, sem ter necessariamente sido consumado um estupro.

K. conheceu o ex-marido na Flórida. Assim que ficou grávida ela soube do passado de Patrick e se recusou a ficar com ele. Quando a filha nasceu, K. começou uma batalha judicial contra o ex-marido. Pelo acordo, ela deveria manter seu endereço atualizado junto à Justiça na Flórida, mas decidiu fugir. “Algumas pessoas me criticam porque eu fugi, mas eu sei que se eu tivesse ficado seria pior. Pelo menos hoje ela tem seis anos, pode se defender melhor até eu chegar aí na Flórida”, adiantou avisando que em breve chegará ao estado.
Segundo a pernambucana, a menina passou por uma avaliação psicológica aos três anos e o laudo, em que comprovava que a havia índicios de que a menina havia sido abusada pelo pai, não foi aceito pela justiça.