Flórida registra o maior êxodo de imigrantes dos Estados Unidos

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Estudo mostra que 375 mil estrangeiros deixaram o estado desde 2007

A crise econômica e a vontade de alguns políticos da Flórida de adotar leis imigratórias mais severas podem ser apontadas como as causas principais para o grande êxodo de imigrantes da nossa região. Segundo um estudo do Pew Hispanic Center, pelo menos 375 mil estrangeiros deixaram o estado entre 2007 e 2009, o maior índice do País. Em contrapartida, poucos conseguiram a legalização neste mesmo período.

Segundo a pesquisa, baseada em dados do censo, a Flórida abriga cerca de 675 mil indocumentados, contra os mais de um milhão de três anos atrás. Boa parte destes trabalhava nas plantações do estado, fato confirmado por Tirso Moreno, coordenador de uma das associações de trabalhadores rurais da Flórida. O mesmo aconteceu nos Estados Unidos de um modo geral, cuja população imigrante gira agora em torno de 11 milhões de pessoas.

“Há uma série de fatores que afetam uma decisão como a de mudar para outro estado ou mesmo país, mas a questão do desemprego é crucial. Os imigrantes estão aqui para participar da economia, ganhar dinheiro, mas ao mesmo tempo também têm mais facilidades de se mudar, pois não criam raízes muito profundas”, justificou Jeffrey Passel, do Pew center.

A notícia não chega a ser uma surpresa para a comunidade brasileira no sul da Flórida, que tem visto famílias inteiras indo para outros cantos da América ou mesmo voltando para o país natal. “Perdemos pelo menos 20% da clientela nos últimos dois anos, mas estamos tentando sobreviver buscando o público americano”, confirmou um dono de restaurante de comida brasileira na região. Outro sinal do êxodo é nas igrejas. “Muitas congregações diminuíram e tiveram que se juntar a outras para continuar existindo. Algumas outras fecharam mesmo”, lamentou o presidente da Associação dos Pastores Evangélicos da Flórida, Carlos Patente.

Fluxo de indocumentados caiu quase 70% em 2 anos

O mesmo estudo do Pew center mostrou que o fluxo de indocumentados tentando entrar nos EUA caiu para quase um terço na segunda metade da década passada. Entre 2000 e 2005, a média era de 850 mil novos imigrantes atravessando a fronteira a cada ano, mas o número caiu para 300 mil entre março de 2007 e março de 2009.

A queda contribuiu para a redução de 8% no número total de imigrantes em situação irregular morando atualmente nos EUA. Esta queda representa a primeira reversão no crescimento desta população no País nas últimas duas décadas. A pesquisa mostrou que 60% dos indocumentados são mexicanos, e que outros 20% vem de outros países da América Latina e Caribe. A maior queda no fluxo de imigração (22%) foi observada, justamente, entre os países da América Latina (inclusive Brasil) e Caribe.

Atualmente, os imigrantes sem papéis correspondem a 28% da população de estrangeiros nos EUA, uma redução em comparação aos 31% de 2007. Em 2009, 59% desses indocumentados moravam na Califórnia, Texas, Flórida, New York, Illinois e New Jersey. Pouco menos da metade deles (47%) chegou à América na última década.