Flórida tem o maior índice de inflação do país

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Em 2008, preços subiram 4,9% na região de Miami e Fort Lauderdale, contra 3,9% da média nacional

Os moradores do sul da Flórida que fazem compras no supermercado, colocam combustível em seus carros ou simplesmente saem para jantar fora já sentiram no bolso o peso da inflação nos Estados Unidos. Agora, a confirmação veio pelo Bureau of Labor Statistics (BLS), que monitora o aumento de preços em todo o país: só em setembro, a alta foi de 0.2% na média nacional, o que elevou a média nacional para 3,9% no ano. Na região de Miami e Fort Lauderdale, porém, o índice bateu os 4,9% e representa a maior inflação medida em todos os 50 estados até abril.

Um dos principais responsáveis por estes números foi a alta da gasolina, que só nos meses de março e abril subiu 5,6%. O preço do galão de combustível em alguns postos do sul da Flórida já está em quatro dólares, cerca de 22 cents a mais do que algumas semanas atrás. Segundo o economista Stuart Schweitzer, do banco de investimentos JPMorgan, “a crise do petróleo é mundial e está puxando para cima os preços”, sem que se possa fazer muita coisa a respeito, a não ser deixar o carro em casa.

No entanto, um dos ítens que não podem ser cortados do dia-a-dia é justamente o que mais encareceu: o preço da comida atingiu o seu maior nível desde a década de 80. “Nós que estamos acostumados com a inflação brasileira, podemos nos sentir em casa”, brincou o mineiro Francisco Viana, que trabalha num car-wash de Deerfield Beach. Ele conta que costumava gastar 70 dólares por semana em compras para toda a família, mas uma ida ao supermercado agora não fica mais barato do que 100 dólares, comprando os mesmos produtos.

E, para piorar o cenário, os salários não conseguem acompanhar o ritmo frenético dos preços. De acordo com estatísticas oficiais, o sul da Flórida experimentou, em 2007, um índice inflacionário de 5,8%, mas a hora trabalhada na região aumentou apenas 3,2% (Broward), 4,2% em Miami e 4,6% em Palm Beach.