Futebol e política não se misturam

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Governo italiano diz que caso Battisti não impedirá realização de amistoso entre Brasil e Itália

O futebol está acima das diferenças diplomáticos. Pelo menos foi isso que o governo italiano deu a entender quando confirmou o amistoso entre Brasil e Itália, previsto para 10 de fevereiro, em Londres. A idéia do cancelamento da partida partiu do subsecretário de Relações Exteriores italiano, Alfredo Mantica, em retaliação às autoridades brasileiras, que concederam asilo político ao ex-ativista de esquerda Cesare Battisti.

“Os assuntos políticos ou diplomáticos, por mais que sejam relevantes e significativos, não devem comprometer a realização de eventos esportivos”, disse por sua vez o subsecretário de Esportes da Itália, Rocco Crimi. O técnico da seleção italiana, Marcello Lippi, evitou comentar o assunto, alegando que ele é “apenas um treinador e não o líder do país”.

A possibilidade de anulação do jogo já havia sido considerada pelo dirigente regional do partido italiano Aliança Nacional Carlo Fidanza, que pediu o boicote ao jogo à Federação Italiana de Futebol, enquanto participava de uma manifestação, realizada em Milão, em repúdio à decisão do governo brasileiro. Para Mantica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “continua colocando em discussão a democracia e o sistema jurídico italiano”.

A decisão de conceder refúgio político a Cesare Battisti, ex-militante do grupo PAC (Proletários Armados pelo Comunismo) na década de 70 e que foi condenado a prisão perpétua na Itália por quatro homicídios, foi tomada pelo ministro da Justiça brasileiro, Tarso Genro, no último dia 13. Battisti foi preso no Brasil em 2007. Na segunda, o procurador Antonio Fernando de Souza recomendou ao STF (Supremo Tribunal Federal) o arquivamento do pedido de extradição.