Futebol italiano às voltas com novos atos racistas

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Último caso aconteceu em Turim, onde torcida xingou atacante negro da Internazionale

Os atos racistas dos torcedores no futebol italiano não serão mais tolerados. Depois que sua torcida entoou cânticos ofensivos ao atacante da Internazionale, Mário Balotelli, a equipe da Juventus foi penalizada pela federação de futebol e jogará uma partida de portões fechados em seu estádio. Além disso, o técnico do time, Claudio Ranieri, afirmou que não aceitará mais este tipo de manifestação nos jogos sob pena de interromper a partida. “Esta é a única solução possível: paralisar a partida. Mas antes tentaremos conter os torcedores que estejam proferindo os insultos”, confirmou Ranieri, muito decepcionado com os seus torcedores, mas admitindo que o problema não é apenas da Juventus, mas um “vício tipicamente italiano”. O clube de Turim já pediu desculpas públicas.

A vítima da vez, o atacante Mário Balotelli, é um jovem de 18 anos nascido no Gana e adotado por uma família italiana. A jovem revelação recebeu elogios não apenas pela atuação, mas pela postura em campo: “Apesar de continuamente provocado, ele teve um comportamento muito cívico e demonstrou maturidade”, disse o presidente da Inter, Massimo Moratti.

Casos como esse têm se repetido no futebol europeu – especialmente na Itália e na Espanha – e a imprensa destaca que o preconceito é generalizado. Há poucas semanas, o zagueiro Marc Zoro, da Costa do Marfim, chorou ao ser alvo de músicas de teor racista, entoadas pela torcida da Inter de Milão. Ele chegou a pegar a bola com a intenção de entregá-la ao bandeirinha e abandonar a partida, mas foi demovido pelos próprios adversários, que pediram desculpas pelos insultos.

Na Espanha, dois jogadores do Espanyol de Barcelona, o goleiro camaronês Carlos Kameni e o centroavante brasileiro Fredson, foram alvo de músicas racistas cantadas pelos torcedores do Atlético de Madri. Eto’o, do Barcelona, também sofreu na pele os insultos. Mas nos casos citados, a punição máxima determinada pelas federações italiana e espanhola foi multa e dois minutos de silêncio antes de cada partida para lembrar o absurdo cometido pelas torcidas. Pelo visto ainda foi pouco.