Governo estadual quer vender hospitais públicos

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As instituições devem fazer levantamento de suas finanças e apresentar parecer ao governador Rick Scott

Joselina Reis

Os hospitais públicos na Flórida podem ser vendidos ou entregues para administração privada. O conselho administrativo de cada instituição, ao todo são 30, tem até o dia 31 de dezembro para contratar uma empresa de contabilidade para avaliar sua situação financeira. A partir daí, os hospitais tem outros 160 dias para publicar os resultados e apresentar o parecer favorável ou não à proposta do governo estadual.

A lei, HB711, foi assinada pelo governador Rick Scott em abril deste ano, depois que o resultado investigativo feito em 2011 por uma comissão criada pelo estado, a Commission on Review of Taxpayer Funded Hospital Districts, apontou uma série de problemas no funcionamento dos hospitais públicos. Entre eles, segundo relatório dessa comissão, está a falta de especialistas em finanças em empresas de saúde no conselho administrativo de cada hospital e a falta de supervisão do trabalho do próprio conselho administrativo.

No condado de Broward, o sistema Broward Health, que possui quatro hospitais, ainda não contratou a empresa de contabilidade para o trabalho. Segundo a assessoria de imprensa, a instituição já lançou o edital e aguarda concorrentes para a vaga. O parecer desta empresa será analisado pelo conselho administrativo que irá planejar uma reunião aberta ao público para explicar os resultados.

Serviço caro

Os quatro hospitais do sistema Broward Health são públicos, mas ao contrário de instituições como as Santas Casas no Brasil, os pacientes precisam pagar pelos serviços prestados. As contas, porque na maioria das vezes os pacientes são cobrados separadamente por exames e serviços, podem chegar à casa de milhões de dólares. É o caso da brasileira Dimitria Rocha Carvalho, de 21 anos. Ela sofreu um acidente de moto em janeiro deste ano e, desde então, está internada no North Broward Health Hospital, em Deerfield Beach.

A conta do hospital, em março, quando Dimitria ainda estava em coma, era de $1,3 milhão de dólares. A UTI custou $13 mil por dia. “Não existe nem a possibilidade de um dia a nossa família pagar essa conta. É impossível”, disse Rosangela Rocha, mãe de Dimitria. A conta não deve parar de crescer já que Dimitria não tem previsão de alta.

Sem dinheiro, a família recorreu ao Medicaid, o programa federal de ajuda financeira para pessoas que não tem seguro de saúde. Como Dimitria estava legalmente no país, o programa aprovou a ajuda no início do tratamento. No entanto, nos últimos quatro meses, a família não conseguiu nenhum retorno ao pedidos mensais de pagamento.

A família espera que ela possa ser liberada em dezembro, quando seu visto expira, para retornar ao Brasil e continuar seu tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Os responsáveis pelo acidente deveriam arcar com essa despesa, em vez disto, minha filha vai ficar com essa dívida em seu nome para sempre”, queixa-se Rosangela Rocha.

Segundo informações da assessoria do hospital, várias opções de pagamento são oferecidas aos pacientes sem seguro de saúde. No entanto, em alguns casos, a dívida passa a ser parte do déficit financeiro do hospital. Por ano, os quatro hospitais do sistema Broward Health atendem 300 mil pessoas, sendo três mil vítimas de trauma como Dimitria. Os gastos em 2011 com tantos pacientes, segundo a assessoria de imprensa, foram de $298,9 milhões e o déficit contabililzado foi de $72 milhões.