Governo tenta salvar outro brasileiro de corredor da morte na Indonésia

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Rodrigo Gularte, de 43 anos, está prestes a ter a sua data de execução anunciada

DITA ALANGKARA
“Paranense

Paranense Rodrigo Gularte pode ter o mesmo fim
de Marco Acher, executado no último sábado

Da Redação com G1 – A execução do brasileiro Marco Archer, no último sábado (17) na Indonésia, gerou uma crise diplomática entre os dois países e, para evitar que o paranaense Rodrigo Gularte tenha o mesmo fim, o governo brasileiro anunciou que manterá o diálogo com o país asiático.

A ministra de Direitos Humanos, Ideli Salvatti, destacou que o governo buscará convencer as autoridades a substituir a pena de morte por uma internação devido a problemas psiquiátricos. No dia da morte de Marco Archer, Angelita Muxfeldt, prima de Rodrigo, desembarcou no país para tentar transferi-lo para uma clínica. No fim de 2014, laudo feito por um médico indonésio constatou, segundo amigos da família, que ele sofre de esquizofrenia. De acordo a embaixada brasileira em Jacarta, Gularte será examinado hoje por um psicólogo da prisão.

Em entrevista ao “Fantástico”, da TV Globo, Clarisse Gularte, mãe do preso, admitiu que o filho errou, mas disse que “ele já pagou o suficiente”, e que deposita as últimas esperanças na transferência de Gularte para unidade psiquiátrica:

“Acredito muito, do fundo do coração, que ele não vai aguentar se ficar lá mais tempo. O objetivo é transferi-lo para um hospital psiquiátrico, para que ele receba o tratamento adequado, porque senão fica cada vez mais difícil. Eu reconheço que o Rodrigo errou, mas acho também que a pena de morte… não foi um crime tão grave assim. E ele está há mais de dez anos, eu acho que ele já pagou o suficiente, né? Então, vamos nos apegar a isso, à esperança”, disse.

Gularte e Archer chegaram a dividir cela por um período e Clarisse conhecia não só o instrutor de voo, mas sua mãe, que morreu em 2011, e a tia, Maria de Lourdes Archer, que continua na Indonésia.

Assim como Archer, Gularte já foi condenado em todas as instâncias por tráfico de drogas e teve negado pedidos de clemência. A ministra Ideli trata como remotas as chances de sucesso até da internação em clínica porque, para a substituição da pena, é necessário antes obter a clemência.

No Itamaraty, um rompimento total de relações com a Indonésia não está na pauta. Diplomatas não acreditam no rompimento das relações bilaterais. A presidente Dilma deverá esperar a chegada do embaixador brasileiro da Indonésia, Paulo Alberto Soares, para definir as ações que podem ser tomadas. O ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores) afirmou sábado que a execução de Archer cria uma “animosidade” nas relações.