Grupo de parlamentares que negociava a reforma imigratória na Câmara sofre baixa

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Dois republicanos deixaram o Grupo dos Sete, a comissão bipartidária que negociava a proposta na Câmara de Deputados

DA REDAÇÃO COM UNIVISION — Dois dos três republicanos que integravam o Grupo dos Sete que redigia um plano de reforma imigratória na Câmara de Deputados anunciaram sua retirada na sexta-feira (20), dando um duro golpe ao esforço pela legalização dos 11 milhões de indocumentados que vivem nos Estados Unidos.

Os congressistas John Carter e Sam Johnson, ambos do Texas, publicaram na webpage de Carter que continuarão trabalhando a favor de uma reforma imigratória que “comece com uma fronteira genuinamente segura, implementação completa do E-Verify, aplicação efetiva das leis atuais e futuras e um compromisso de que qualquer proposta contribua para uma economia saudável”.

O terceiro republicano que integra o grupo, Mario Díaz-Balart, disse ao programa Al Punto da Rede Univision que “aconteça o que acontecer, demore o quanto for, continuarei trabalhando nisto com meus colegas”.

Com a saída de Carter e Johnson se desvanecem as esperanças para milhões de indocumentados que aguardam uma oportunidade para legalizar suas permanências nos Estados Unidos, possibilidades que haviam aumentado no final de junho quando o Senado aprovou um plano que inclui uma via para a cidadania.

O parlamentar Javier Becerra (democrata da Califórnia), democrata e membro do Grupo dos Sete, disse ter ficado triste por não ter sido “capaz de apresentar o projeto de lei. Mas isto não diminui a necessidade de se aprovar uma reforma imigratória”. Becerra disse que na Câmara há votos suficientes para se aprovar a reforma imigratória e “precisamos que John Boehner nos permita votar. Chega de desculpas, chega de atrasos, é hora de votar”.

Três anos de esforço

O Grupo dos Sete estava há mais de três anos trabalhando em um projeto de reforma que, como o plano do Senado, incluiria um caminho de legalização para os milhões de sem papéis.

Politico, o Website de internet que segue de perto tudo o que passa no Congresso em Washington, disse que os representantes Johnson e Carter, republicanos do Texas, anunciaram que abandonavam o grupo, e responsabilizaram o presidente Obama por sua decisão.
Minutos antes, o diário The Washington Post escreveu em sua webpage que Luis Gutierrez, deputado democrata e um dos líderes do Grupo, havia dito que “não parece que podemos avançar mais com o Grupo dos Sete”.

O grupo havia anunciado a apresentação de um projeto que – apesar de ser muito mais duro do que o aprovado no final de junho pelo Senado da República – daria um caminho à cidadania para os mais de 11 milhões de indocumentados que vivem no país.

“Ao decidirem separar outros dois republicanos do Grupo dos Sete (Raúl Labrador abandonou em junho), indica que há pressão de cima para que não exerçam liderança em um tema tão importante como uma reforma imigratória com via para a cidadania”, disse a NoticiasUnivision.com Jorge Mario Cabrera, diretor de comunicações da Coalizão pelos Direitos Humanos dos Imigrantes de Los Angeles (CHIRLA ). “Mas que fique claro que aqueles que estão contra uma reforma imigratória estão contra os imigrantes, contra o progresso e arriscam muito nas próximas eleições”.

Por que saíram

“Queremos ser claros. O problema é político. Em vez de fazer o que é bom para a América, o presidente Obama desrespeitou algumas vezes a Constituição dos Estados Unidos, a letra da lei, e passou por cima do Congresso, com objetivo de faturar com sua agenda política”, disseram os dois representantes do Texas em um comunicado emitido na sexta-feira (20).

A decisão dos dois representantes republicanos, conforme assinala Politico, foi comunicada poucos dias depois de um dos grupos de linha mais dura em relação à política de imigração, Americanos por uma Imigração Legal (ALIPAC, na sigla em inglês) retirou seu apoio a Johnson e Carter.

Segundo disse Gutierrez ao The Washington Post, “o grupo bipartidário não conseguiu o apoio da liderança republicana da Câmara de Deputados. E isto não vai ocorrer agora”. Sem este apoio, de acordo com o representante de Illinois, é muito difícil pensar em uma aprovação da reforma.

Com a dissolução do Grupo dos Sete, se torna cada vez mais claro que a Câmara de Deputados não discutirá um projeto integral de reforma, e que o mais seguro é limitar-se a estudar tema por tema, começando pelo da segurança da fronteira.

Alguns analistas estão dizendo que, com a dissolução do Grupo dos Sete, a Reforma Imigratória deu seu último suspiro. “A morte do plano do Grupo dos Sete parece subtrair esta possibilidade”, disse a nota do The Washington Post.

America’s Voice disse que, com as saídas dos dois congressistas republicanos, os democratas Gutiérrez, Xavier Becerra (Califórnia), Zoe Lofgren (Califórnia) e John Yarmuth (Illinois) “estão liberados” e poderão utilizar “sua formidável influência para pressionar diretamente a liderança da Câmara de Deputados para tomar medidas”.

A primeira baixa

O Grupo dos Sete originalmente era formado por oito congressistas. No início de junho, o legislador Raúl Labrador (republicano de Idaho) abandonou o grupo porque, argumentou, os democratas ameaçaram não cumprir acordos anteriores alcançados com os republicanos, entre eles incluir os indocumentados na reforma da saúde.

O plano que redigia o Grupo dos Sete incluía uma via de legalização para indocumentados que não possuam antecedentes criminais que precisavam primeiro declarar-se culpados de violar leis americanas e depois entrar em um status de liberdade condicional por cinco anos. Ao final deste prazo, eles poderão pedir a residência pela qual deverão esperar cinco anos.

Cinco anos depois de receber a residência os favorecidos poderão pedir a cidadania americana.

Antes do recesso de verão de cinco semanas iniciado em 5 de agosto, alguns legisladores do grupo anunciou que entregaria o plano depois de 9 de setembro, mas com as saídas de Carter e Johnson a iniciativa afunda.

Recentemente Labrador advertiu no programa Al Punto da rede Univision que a reforma imigratória não tem votos suficientes para ser aprovada na Câmara e que, se não for aprovada este ano, o debate pode ser adiado para depois de 2015. O democrata do Texas Henry Cuellar disse ao Noticiero Univision que a data inclusive pode prorrogar-se até 2017.

“A reforma imigratória continua sendo elevada como a defesa dos direitos civis do século 21”, acrescentou Cabrera. “Não é possível que nos Estados Unidos estejamos dispostos a continuar escravizando um setor inteiro da sociedade e não assumirmos a culpa. O Congresso representa o povo e o povo já disse basta. Será que os republicanos estão dispostos a se esconder só porque uma minoria tirana não quer nos conceder a legalização?”, indagou. “Pelo próprio bem deles, espero que não”.