Homeland Security: Mudanças na política de repressão aos imigrantes ilegais devem vir logo

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O governo Obama vai anunciar “muito em breve” qual o modelo que vai adotar para lidar com as leis imigratórias no país, “realinhando” a política de deportações, disse o secretário de Homeland Security (Segurança Nacional), Jeh Johnson, à rede de TV ABC.

O anúncio chega um mês depois do presidente Obama ter pedido a Johnson que “revisasse as práticas” para “assegurar que procedamos da forma mais humana possível”, segundo declarou na época um porta-voz da Casa Branca.

Em entrevista ao repórter Pierre Thomas, do programa “This Week”, da rede de TV ABC, Johnson disse que as leis imigratórias precisam se “ajustar aos valores americanos”.

“Um desses valores é o respeito pela dignidade humana… `e` outro o respeito pela sacralidade da união familiar”, disse Johnson.

Ao anunciar o plano de mudanças no mês passado, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, destacou “a dor que estão sentindo as famílias dos parentes separados pela deportação”.

Como parte da revisão da política, Johnson disse que tem conversado muito com parlamentares, grupos de apoio aos imigrantes e sua própria equipe. “Estamos ainda em meio à revisão e estou consultando uma ampla rede de pessoas. Mas acredito que devo ter alguma coisa pronta muito em breve”, respondeu Johnson quando perguntado sobre quando entraria em vigor a nova política.

O secretário tem falado especialmente com os diretores do Immigration and Customs Enforcement (ICE), “de uma forma que não tenho certeza de que tenha sido feita antes”.

“Consultei a diretoria do ICE a respeito de quais seriam as nossas prioridades, e sobre como poderíamos realinhá-las”, disse Johnson. “Estou buscando formas de melhorar a administração e a vigilância de nossas leis imigratórias. Acho que há espaço para melhorar isso”.

Na sexta-feira (25) dezenas de manifestantes fizeram uma passeata até a sede do ICE, em Washington, para protestar contra a política de deportações da agência federal.

“O presidente Obama tem promentido a reforma imigratória, mas o resultado foi um número recorde de deportações e violações dos direitos civis”, disse Jacinta Gonzales, líder do movimento For Congress of Day Laborers.

Um dia antes dos protestos em frente ao ICE, 22 senadores republicanos enviaram uma carta ao presidente Obama expressando “grave preocupação” a respeito da revisão proposta por Johnson, afirmando que “as mudanças que estão sendo levadas em consideração podem representar um abandono total das leis básicas de repressão à imigração ilegal”.

“Como resultado da nova política, individuos que estão aqui ilegalmente e que não se encaixam nas ‘prioridades’ do governo estarão não só isentos da lei, mas completamente livres mesmo quando em contato com as autoridades de fiscalização imigratória”, diz ainda a carta.

Considerando a questão como “de segurança pública”, o governo tem concentrado seus esforços limitados de vigilância aos imigrantes indocumentados que tenham cometido outros crimes, especialmente os violentos.

“Tenho que ser honesto. Não entendo quando dizem que não estamos aplicando a lei”, disse Johnos na entrevista. “Estamos aplicando-a diariamente… Há milhares de pessoas criminosas que são removidas diariamente do país”.

Independente de quaisquer mudanças que possam vir da nova política, Johnson apelou aos congressisitas que aprovem a reforma imigratórias, afirmando que “ninguém pode substituir o Congresso `no caso`”.

“É vital para a segurança nacional que contemos com mais recursos para a segurança nas fronteiras. Também acredito que é preciso retirar 11.5 milhões de imigrantes indocumentados das sombras, para que sejam levados em conta e depois conduzidos ao caminho da cidadania.”

Johnson disse que “há vários” parlamentares de ambos os lados do plenário que apoiam a reforma imigratória, e que está “confiante de que ela acontecerá”.

“Não posso lhe dizer quando, mas mas há muito apoio no Congresso, no mundo dos negócios, nas organizações de trabalho e, segundo as pesquisas, é do desejo da maioria do povo americano. Acredito que vai chegar o momento do Congresso agir”, concluiu.