Imigração: tema espinhoso na campanha presidencial

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Romney reitera que não haverá batidas se chegar à Casa Branca e Obama insiste em legalizar os sem papéis

O presidente Barack Obama e seu rival republicano Mitt Romney pela primeira vez na série de debates presidenciais abordaram o tema da imigração e o futuro dos 11 milhões de indocumentados que vivem no país.

Diante de uma pergunta feita por uma pessoa da audiência, o ex-governador de Massachusetts reiterou que apóia a imigração legal e se mostrou a favor de alguns filhos de imigrantes indocumentados obterem uma via para legalizar suas permanências e conseguir a residência permanente.

Romney, que em janeiro anunciou que impulsionaria um plano de autodeportações e vetaria o Dream Act (caso seja aprovado pelo Congresso), disse no debate na Universidade de Hofstra que apoiava a concessão de green card para aqueles que serviram nas Forças Armadas.

Mas Romney também aproveitou o debate para criticar o presidente pelo descumprimento de uma promessa de campanha feita em 2008, de que colocaria em pauta uma reforma imigratória no curso de seu primeiro ano de mandato.

A crise econômica, as guerras no Afeganistão e Iraque e a reforma da saúde entre outros debates postergaram a promessa de Obama. O mandatário reconheceu que a falta de uma reforma imigratória era um de seus maiores fracassos e culpou os republicanos por não ter apoiado seus planos para que fosse aprovada no Congresso.

Durante o debate de terça-feira (16) em Nova York, Romney reiterou sua oposição para conceder uma via de “anistia” aos 11 milhões de imigrantes indocumentados e assegurou que se chegar à Casa Branca impedirá que obtenham carteiras de motorista.

“Mas os filhos dos que vieram aqui ilegalmente devem ter uma opção para a residência permanente, e o serviço militar é uma maneira que eles teriam para consegui-lo”, sugeriu.

Obama respondeu que não apresentou uma proposta de reforma imigratória porque não recebeu apoio dos republicanos no Congresso.

Em um tom similar e tenso, Obama também acusou Romney de ter-se referido à Lei Imigratória SB1070 do Arizona como um modelo do que deveria ser a política imigratória nacional.

Romney respondeu que quando citou isto estava referindo-se a uma parte da lei que contém o uso obrigatório do sistema federal E-Verify que checa o status imigratório dos trabalhadores estrangeiros.

O assessor de Romney “é Kris Kobach, autor da Lei do Arizona e não do E-verify. É sua política e é má política”, asseverou Obama.
Não às deportações em massa

Romney reiterou ainda sua promessa de que, caso seja eleito presidente, não autorizará deportações em massa de indocumentados.
A Associated Press notou que durante o debate presidencial de Nova York Romney referiu-se várias vezes aos imigrantes como “ilegais”, enquanto Obama os chamou de “indocumentados”.

Em outro trecho da discussão sobre o tema imigratório, Obama fez uma comparação entre Romney e o ex-presidente George W. Bush. “Há coisas em que Romney é diferente de George Bush. George Bush queria uma reforma imigratória integral e não pediu autodeportação”, disse o mandatário.

Para que seja aprovada uma reforma imigratória, são necessários 218 votos na Câmara de Deputados e 60 no Senado. Atualmente, os republicamos controlam a Câmara Baixa e os democratas a Câmara Alta apenas por um voto.

Se os democratas não voltarem a controlar as duas câmaras após a eleição de novembro, nada indica que os republicanos mudarão de idéia e abandonarão a resistência a uma via para a legalização dos 11 milhões de indocumentados.

Romney insistiu em seu respaldo à imigração legal e a programas temporários para certos trabalhadores que também entrarão legalmente nos Estados Unidos e depois retornarão para seus países de origem.

Obama, porém, acredita que a solução para o problema passa por uma reforma imigratória abrangente no Congresso.