Imigrantes ainda otimistas em relação à reforma, apesar da falta de novidades

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Por isso, ativistas querem traçar novas estratégias para pressionar governo e parlamentares

Desânimo não é uma opção para os ativistas. Mais de 600 organizações que lutam pelos direitos dos imigrantes nos Estados Unidos ainda mantêm esperanças de que o Congresso debata e aprove uma reforma imigratória generosa nos próximos meses. Para tanto, os grupos têm se reunido para revisar a estratégia de atuação para tirar das sombras da sociedade americana os cerca de 12 milhões de indocumentados do país.

A batalha começou no final de abril, quando o governo de Barack Obama completou 100 dias na Casa Branca. Os ativistas, então, iniciaram uma campanha nacional de envio de mensagens ao presidente e aos parlamentares do Congresso, seja por e-mail, correio ou mesmo pelo telefone.

A mesma atitude foi tomada em 2007, quando milhares de imigrantes pressionaram deputados e senadores, pelos mesmos meios. Na ocasião, as linhas telefônicas ficaram congestionadas e houve um colapso no sistema de comunicação interno da casa legislativa. Mesmo assim, o final não foi o esperado. “Sofremos uma grande derrota”, lamentou Jorge Mario Cabrera, diretor da Coalition for Humane Immigrant Rights of Los Angeles (CHIRLA).

Agora, porém, o final dfa história deve ser diferente, até porque o próprio Obama garantiu que a questão é uma de suas prioridades. A campanha, chamada de ‘Pró-América’, será em âmbito nacional, combinando esforços de indivíduos e organizações comunitárias na luta pela reforma. O objetivo é obter os 279 votos necessários no Congresso para aprovação de mudanças na lei (218 votos na Câmara de Representantes e 60 no Senado), com a posterior assinatura do presidente dos EUA.

Para Laura Vásquez, do Conselho Nacional de La Raza (o grupo hispânico mais importante dos EUA), a campanha ‘Pró-América’ está permitindo que a comunidade participe, o que demonstra que o esforço não é apenas dos ativistas. “Trata-se de um movimento aberto a qualquer pessoa que queira enviar mensagens aos parlamentares”, disse Vásquez, afirmando que, diferentemente de 2007, os grupos estão mais preparados e com mais recursos. Segundo ela, mais de 148 mil mensagens já foram enviadas para a Casa Branca e cerca de 257 mil para os congressistas.

Um assessor do senador Harry Reid, líder da maioria democrata, disse, no entanto, que o número de chamadas enviadas ao parlamentar é inferior ao montante de 2007 – mesmo assim, os ativistas não querem perder as esperanças. “Representantes de organizações de apoio aos imigrantes realizaram mais de 100 visitas a integrantes do Congresso. Temos confiança de que isso vai surtir efeito”, disse Vásquez. “Acreditamos que este é o momento de pressionar os parlamentares e o presidente, por isso estamos otimistas”, acrescentou Cabrera.