Imigrantes evitam buscar ajuda médica

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Com medo de deportação, imigrantes morrem sem tratamento de doenças simples

A denúncia feita pelo jornal New York Times, e reproduzida em diversos veículos de comunicação, entre eles o AcheiUSA, de que muitos hospitais estão ‘deportando’ imigrantes em situação irregular e sem plano de saúde porque não têm como arcar com as despesas médicas, está gerando pânico nas comunidades. Muitos estrangeiros se recusam a procurar centros médicos ou setores de emergência, com medo de serem denunciados para a polícia e, por isso, muitas vezes morrem sem atendimento médico, por doenças de simples tratamento. Na Carolina do Norte, por exemplo, os casos de tuberculose entre imigrantes têm aumentado nas últimas semanas e os especialistas afirmam que é necessário se manter a atenção médica básica a esta comunidade, independentemente do estado migratório de cada um.

Em Raleigh, capital do estado, o fato despertou a preocupação das autoridades médicas e demonstra bem como o problema pode se tornar maior do que já é. “A ordem de identificar os indocumentados está impedindo que os médicos cumpram sua função de proteger o público de enfermidades contagiosas”, afirmou Leah Devlin, diretora do Departamento de Saúde da Carolina do Norte. Para ela, qualquer política contra os indocumentados gerará “desconfiança e medo” destes imigrantes quando precisarem de qualquer serviço médico. “Se uma mãe deixar de aplicar as vacinas nos seus filhos porque acha que será deportada, toda a saúde pública da comunidade estará em risco”, enfatizou Devlin.

Segundo Christopher Zinder, da Academia de Doutores Familiares da Carolina do Norte, a relação paciente-médico é sagrada e há a premissa de que a informação médica se manterá em sigilo, não podendo ser usada contra qualquer pessoa. Alguns grupos antiimigrantes, porém, continuam a exigir das autoridades que os departamentos de saúde – que recebem verbas dos contribuintes – neguem atendimento médico aos pacientes que não provarem que estão em situação regular no país.

“Por esta e outras, o temor está maior por parte dos indocumentados. Muitos preferem evitar a divulgação de informações pessoais”, disse Cristina La Paz, diretora da Mi Casa Su Casa, organização sem fins lucrativos em Charlotte (NC).

Sem riscos

O problema, aliás, não ficou restrito à Carolina do Norte: aqui mesmo na Flórida, em nossa comunidade, os imigrantes ficaram preocupados em ir aos hospitais. “Ultimamente vários brasileiros vieram à clínica com casos graves, porém não procuraram os setores de emergência de hospitais por medo da imigração”, admitiu o padre Carlos Anklan, que é pároco da Missão Rainha da Paz, em Delray Beach, que mantém uma clínica médica e dental para servir principalmente as comunidades de imigrantes e carentes. O centro médico atende a qualquer pessoa independente de raça, religião ou status imigratório. Os custos são bem abaixo do mercado, já que a Igreja Católica fica responsável pela maior parte das despesas – isso sem falar na colaboração de médicos e enfermeiros voluntários. A clínica fica na 9600 W Atlantic Avenue e o telefone de lá é (561) 637-2757.