Imigrantes na expectativa da tão esperada reforma

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Obama garantiu que assunto será tratado no seu primeiro ano de governo

O sentimento de esperança tomou conta dos mais de 12 milhões de imigrantes em território americano com a eleição de Barack Obama para o cargo de próximo presidente dos Estados Unidos. O principal motivo para tanta expectativa é que o futuro ocupante da Casa Branca repetiu que pretende trazer de volta à pauta dos debates no Congresso o tão esperado projeto de reforma da lei imigratória. Ativistas e advogados torcem para que isso realmente aconteça nos próximos 12 meses.

Não resta dúvida de que o tema imigração, que durante algum tempo foi considerado prioritário no processo eleitoral, perdeu espaço diante da crise econômica de grandes proporções que assolou o país nos últimos meses. A recessão, portanto, pode desviar o foco das promessas de campanha. “Obviamente não há garantias de que o Congresso inclua a reforma da lei de imigração em 2009, pelo simples fato de que a economia é hoje a prioridade”, afirmou o advogado Jorge Rivera, que coordena o chat sobre questões imigratórias do site da emissora Univision. Ele até acredita que os parlamentares vão apresentar algum projeto para tentar resolver o problema de milhões de indocumentados, mas sua análise e posterior aprovação vai depender da evolução da economia americana. “Se nada melhorar, duvido que haja qualquer debate em favor dos imigrantes”, acrescentou Rivera.

A ativista brasileira Isabel Santos, que participou de um dos comitês de apoio ao então candidato democrata, aposta que os indocumentados terão boas notícias em 2009. “Não sei se será uma anistia ou uma outra forma de legalização, mas algo será feito. Este país precisa disso e o Obama está sensível à situação de 12 milhões de pessoas que vivem de forma irregular no país”, afirmou. Para ela, o atual sistema imigratório está falido e precisa de mudanças urgentes, o que também vai trazer melhorias na área econômica. “Com a legalização dos indocumentados, o país será forte novamente”, diz Isabel, que é cidadã americana há mais de dez anos.

O advogado Max Whitney, no entanto, não tem tanta certeza de que isso aconteça na amplitude que os imigrantes esperam. “Há uma chance, mas considero sintomático o fato de o tema não ter sido mencionado durante os debates”, explica. Para ele, o mais provável é que os assuntos econômicos dominem as atenções do novo presidente, até para que seja feito “um saneamento básico do país”. Max espera que os parlamentares aprovem pelo menos condições preliminares para uma futura legalização. “Não será uma uma reforma ampla, mas não custa torcer pela aprovação de uma nova lei relativa aos vistos de trabalho temporário”.

De acordo com a proposta de Obama para o setor, o país deverá proteger melhor suas fronteiras para evitar a entrada de mais imigrantes pela via ilegal e combater o roubo de identidade (uso de documentação falsa), mas garantiu que interromperá as deportações em massa. “As deportações que estão acontecendo até agora são seletivas, pois não resolvem o problema migratório”, afirmou durante um comício.
Ele considera que as prisões seguidas por deportações estão entre os maiores erros da administração Bush e critica duramente os senadores e congressistas que apóiam essa medida. “Sempre tenho defendido uma reforma migratória integral, que garanta segurança das fronteiras, porque temos que saber quem está entrando em nosso país, e também devemos ter um sistema onde possamos verificar os empregados”.
Filho de um imigrante, Obama, porém, disse poucos dias antes das eleições que sua tia queniana, que vive como indocumentada nos Estados Unidos, violou a lei de imigração e que deveria ser deportada. “Somos uma nação de leis e estas devem ser cumpridas”, disse. Isso não impede que ele lute para reformar, modernizar e tornar o sistema migratório norte-americano mais eficiente. O futuro presidente defende a implementação de uma medida que submeta os imigrantes ilegais a vários requisitos, caso queiram sair da sombra da ilegalidade. Dentre os planos para os estrangeiros que querem permanecer legalmente no país estão a fixação de pagamento de uma multa, aprendizado de inglês e cidadania norte-americana.