Imigrantes superam barreira legal para se reunir com pais

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Brasileira do Rio de Janeiro que vive em Boston viveu esta situação

DA REDAÇÃO, COM THE NEW YORK TIMES – Três jovens imigrantes tiveram uma reunião que misturou júbilo e tristeza ao mesmo tempo em Nogales, Arizona, nesta terça-feira (11) com seus pais que foram deportados dos Estados Unidos, dividindo abraços através das barras de aço da cerca da fronteira que separa esta cidade americana da cidade fronteiriça mexicana.

Os jovens adultos fazem parte do movimento dos imigrantes que cresceram neste país sem status legal, os chamados Dreamers. Seus pais viajaram para o lado mexicano da cerca vindos do Brasil, Colômbia e Guadalajara, México, para ver seus filhos em pessoa pela primeira vez em muitos anos.

O encontro, sob um sol escaldante das terras da fronteira, foi um novo ato do teatro político que os jovens imigrantes têm usado para dramatizar seu apoio ao projeto de lei do Senado para remodelar o sistema de imigração. Horas antes do encontro em Nogales, o presidente Obama pediu na Casa Branca para o Congresso apressar-se e aprovar rapidamente o projeto de lei. Referindo-se à crescente influência do movimento dos jovens no debate, o presidente emoldurou suas observações” tanto literalmente como politicamente ” com os Dreamers.

Uma moça da Nigéria, Tolu Olubunmi, o apresentou, e durante seu discurso ele destacou outro jovem imigrante, Diego Sanchez, da Argentina. Evocando a narrativa simpática dos jovens que se descobriram ilegais nese país depois de term vindo para os EUA como crianças, Obama disse que os opositores da legislação não tinham motivos racionais para bloqueá-los de ter acesso a um caminho para a cidadania.

“Este não é um debate abstrato”, disse Obama. “Isto é sobre jovens incríveis que se consideram americanos,que fizeram tudo certo, mas foram prejudicados ao tentar alcançar seu sonho americano.’

Organizadores da reunião de Nogales disseram ter sido coincidência ter ocorrido no dia do discurso do presidente, uma vez que eles estavam arrecadando fundos para a compra de passagens de avião para os pais há dois meses.

“Isto não é sobre o presidente”, comentou Carolina Canizales, uma líder do United We Dream, o grupo nacional que organizou a reunião familiar. “Hoje é sobre reunificação de famílias e o que isto significa para nós.”

Depois de estabelecer um plano, pouco antes das 10 am, os pais e seus filhos se aproximaram, vindos de lados opostos, uma parte da cerca em Nogales onde os postes estão a poucas polegadas de distância. Depois da deportação, os pais não podem entrar nos Estados Unidos, e os jovens que viajaram para a fronteira vindos de várias cidades como Seattle, Boston e Orlando não possuem status legal que lhes permita sair e retornar.

Estendendo seus braços, pais e filhos se abraçaram, riram e choraram.

A mãe de Renata Teodoro, 25, deu fotografias da família para ela, assim como uma camiseta de futebol de um time do Rio de Janeiro e uma carta da irmã mais nova que também voltou para o Brasil quando a mãe foi deportada há seis anos. Renata, que veio de Boston, deu à sua mãe um vidro de polidor de unhas, uma brincadeira entre elas, e mostrou o cartão que havia recebido da suspensão da deportação sob um programa de Obama quer começou no ano passado seu primeiro documento oficial de imigração.

Sua mãe, Gorete Borges Teodoro, 52, ficou emocionada, mas logo adotou seu jeito maternal.

“Eu rezo para que vocês tenham os papéis, vão para a universidade”, disse a Gorete Teodoro em inglês. Sua filha disse ter chegado aos Estados Unidos com seis anos de idade e se recusou a voltar para o Brasil com sua mãe para poder concluir seus estudos na Universidade de Massachusetts, em Boston. Gorete Teodoro recebeu ordem de deportação depois de a petição de asilo político feita por seu marido ter sido negada.

A mãe de outro jovem imigrante, Carlos Padilla, 21, de Seattle, disse “estar feliz e triste ao mesmo tempo: feliz por estar perto dele, triste porque esta cerca está entre nós”. A sra. Padilla disse que sua mãe, Josefina Hernandez Madrigal, foi para o México em 2008 para cuidar de parentes adoentados e não foi capaz de obter um visto para reentrar nos Estados Unidos.

Um veículo da Patrulha da Fronteira estacionou perto, e um agente permaneceu para observar, mas não fez nenhuma intenção.
O projeto de lei do Senado oferecerá ganhos significativos para jovens imigrantes como aqueles em Nogales, mas não para seus pais.

Inclui uma versão do Dream Act, a medida pela qual os jovens imigrantes pegam os nomes deles, que lhes dará um caminho rápido de cinco anos para a cidadania americana. Jovens imigrantes como Renata Teodoro e Carlos Padilla que receberam a suspensão da deportação terão um processamento de solicitação mais rápido para o status provisório, o primeiro passo para o caminho da cidadania.

O projeto de lei do Senado permitirá que alguns deportados retornem para os Estados Unidos, inclusive filhos, cônjuges ou pais de cidadãos e residentes permanentes legais dos Estados Unidos, e de jovens que forem elegíveis para o Dream Act. Não há nenhuma medida para o retorno de pais deportados de imigrantes não autorizados. Vários senadores republicanos levantaram fortes objeções ao retorno de deportados. Esta provisão é considerada uma das mais difíceis de ser aprovada no plenário.

De acordo com um estudo recente da Colorlines, um Website de notícias que foca temas raciais, cerca de 205,000 pessoas que foram deportadas entre 2010 e 2012 tinham crianças que eram cidadãos americanos e viviam neste país. Não há estimativa sólida sobre o número de filhos de deportados que não são cidadãos.

Reanta Teodoro disse que reencontrar sua mãe foi frustrante. “Quando você recebe prêmios, por ter-se formado no high school, fico um pouco raivosa de ter de mostrá-los através da cerca’, ela disse. ‘ Na verdade, fico com bastante raiva.”