Impasse no Congresso paralisa parcialmente o governo americano

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Republicanos da Câmara de Deputados insistem na mudança ou no adiamento do Obamacare para votar aumento no teto da dívida

Este é a primeira paralisação do governo desde 1996, quando Newt Gingrich era o presidente da Câmara e Bill Clinton era o presidente. As duas Casas do Congresso permaneceram em sessão até a manhã desta terça-feira (1), mas não há um caminho impedido para resolver o impasse orçamentário.

Num sinal de quão arraigado está Washington, o Congresso está lutando há alguns meses pelo financiamento do governo. Entre novembro ou dezembro, o Congresso e a Casa Branca terão de entrar em acordo em torno de um projeto de lei para financiamento de longo prazo para durar em 2014. Esta é a primeira batalha fiscal deste outono. O teto da dívida deve ser levantado em 17 de outubro.

A grande divergência é que os republicanos da Câmara de Deputados querem evitar que o Obamacare receba algum tipo de financiamento desde que o partido ganhou a maioria na Casa em 2010. Do lado dos democratas do Senado, isto é inegociável, e eles querem que seja aprovado um projeto de lei de seis semanas de financiamento do Affordable Care Acty (Obamacare), que está aberto ao público a partir deste 1º de outubro.

A maioria das pesquisas aponta que os republicanos arcarão com a culpa pela paralisação. O presidente John Boehner (R-Ohio) (foto) particularmente alertou os republicanos da Câmara que eles podem perder a maioria em 2014 como resultado da paralisação do governo.
Num último esforço feito pelos republicanos da Câmara na segunda-feira (30) à noite eles tentaram um acordo, mas o líder da maioria no Senado Harry Reid (D-Nev.) disse que apenas assinaria se o Partido Republicano aprovasse seis semanas de financiamento sem qualquer alteração do Affordable Care Act.

O Congresso deve retomar negociações a partir da 9:30 am desta terça (1). Reid disse que “ isto é muito triste para o país”. E completou: “É embarraçoso que estas pessoas eleitas para representar o país estejam representando o tea party”.

O vai e vem legislativo durou vários dias. A Câmara primeiro aprovou um projeto de lei há duas semanas, que retirava financiamento da lei da saúde. O Senado respondeu mudando a legislação para um financiamento completo da lei. A Câmara passou então diversas versões de seu próprio projeto de lei para manter o financiamento do governo — mas com várias ressalvas: primeiro, não financiando o Obamacare; depois, propondo um ano inteiro de prorrogação do Obamacare e a revogação dos impostos sobre equipamentos médicos; depois, um adiamento do mandato individual do Obamacare e o cancelamento dos subsídios de seguro-saúde para os parlamentares, assistentes e funcionários administrativos do Capitólio. O Senado repeliu todas as tentativas.

Agora, alguns serviços continuam a funcionar, como correios, seguro social, pagamento de militares e veteranos, enquanto outrs entraram em compasso de espera, aguardando a resolução deste impasse que pode durar horas, dias ou meses.