Invasão verde-amarela na gastronomia da Flórida

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South Beach Wine and Food Festival contou com expositores brasileiros de vinhos e caipirinha

Marcio Beck

Carlos Alves, dono do Quiosque, Marcelo Menezes e Rodrigo Landim
Carlos Alves, dono do Quiosque, Marcelo Menezes e Rodrigo Landim

A receita básica é simples: cachaça, limão, açúcar e gelo. Ou, pelo menos, era, até que novas combinações de frutas apareceram e até a tradicional aguardente brasileira passou a ser substituída, em alguns casos, por vodca. Renovada, a caipirinha, foi um dos destaques dos South Beach Wine and Food Festival (SobeWFF) deste ano. Foram cerca de oito mil doses servidas no evento, média de duas mil por dia. E um grupo de investidores brasileiros está planejando trazer o o drinque mais tradicional do Brasil para a Flórida como residente permanente e não apenas como visitante.

A equipe do Quiosque do Português, tombado como patrimônio imaterial do Rio de Janeiro e considerado por Tony Abou Ganim – um dos maiores especialistas do mundo em mixologia – como a melhor caipirinha da Cidade Maravilhosa, preparou os drinques no estande da Southern Wine and Spirits. A distribuidora trabalha com duas marcas brasileiras de cachaça, bebida em que seu diretor de Mixologia para a Flórida, Armando Rosário, é especializado: Água Luca e Sagatiba.

Na sexta-feira (20) e no sábado (21), eles enfrentaram ainda uma dupla jornada promovendo uma – curta temporada de caipirinhas – para convidados no Hotel Pestana South Beach Art Deco – antigo Hotel Milejean Complex, comprado pelo grupo português em 2009 e reaberto em 2013. No cardápio, misturas exóticas como uva com manjericão, morango com amora e tangerina com gengibre provocaram surpresas positivas.

Fundado em 2002 pelos comerciantes Manuel e Carlos Alves, pai e filho, o quiosque perdurou por 10 anos na praia do Leblon antes de abrir uma filial na Lagoa. Agora, junto com outros dois investidores cariocas que preferiram ficar anônimos (um deles dono de outros quatro restaurantes), Carlos aproveitou a viagem para verificar possíveis locações para um negócio em Orlando.

“O SobeWFF teve uma organização nota 10. Sem modéstia, o nosso estande foi muito concorrido e elogiado. Os poucos que conheciam caipirinha achavam que só podia ser feita com limão, acho que nunca viram tantas frutas frescas sendo usadas para um drinque”, diz ele, animado.

O grupo visitou três possíveis pontos para a instalação do negócio. O primeiro, um restaurante já estabelecido na International Drive, ligado a um hotel. O segundo, uma loja em um mall no subúrbio de Dr. Phillips. E o terceiro, mais ousado e que exigiria um planejamento mais longo, no centro comercial que será construído na comunidade projetada de Lake Nona. As condições de cada local estão sendo avaliadas, mas não há previsão de quando o futuro do projeto será decidido. Enquanto isso, uma nova “temporada de caipirinhas” com a Southern, desta vez com um mês, está sendo programada para o Epcot Center em abril.

“Temos que avaliar muito bem o mercado, mas sem dúvida, queremos ter um ponto aqui”, afirma Carlos Alves.

Ele e os sócios não são os únicos brasileiros interessados em se fixarem no “Sunshine State” como a Flórida é conhecida. Pelo menos mais dois projetos na área de gastronomia estão sendo desenvolvidos. Um deles é do empresário Carlos Alberto Porciúncula que tem participação em três estabelecimentos do ramo em Salvador (BA): 33, 33 Café e Santo Pesce. A ideia de abrir uma unidade em Miami surgiu em 2011, quando ele e o sócio, Pedro Miguel, vieram à cidade comprar equipamentos para a montagem do Santo Pesce, inaugurado em novembro de 2012.

Foram 60 dias entre Miami e Nova York a cata de mobiliário e utensílios para o restaurante. Ao fim da expedição, enviaram o equivalente a um contêiner de material para o Brasil. Com a perspectiva de expansão em mente, a dupla já abriu uma empresa nos Estados Unidos e planeja o próximo passo.

“Queremos formatar algo que tenha a cara brasileira, mas que também agrade ao público local. Não queremos errar a mão”, analisa o restauranteur. “Temos feito um acompanhamento que nos mostra que pode dar certo. Estamos observando experiências do pessoal que está investindo que não é aventureiro e tem projetos concretos para a cidade”, completa.

Porciúncula se refere à rede Soho, que, apesar do nome, é brasileira, e vai abrir no dia 12 de março sua quinta unidade, e a primeira filial nos Estados Unidos. O espaço na West Avenue, em Miami Beach, no qual foram investidos perto de $5 milhões de dólares, tem capacidade para receber cerca de 200 pessoas. Criado pelo casal Jefferson e Karine Queiroz, em 1998, o Soho oferece um menu inspirado na culinária japonesa, que, aqui nos EUA, terá um toque especial brasileiro.

Os dois idealizaram a filial americana em 2010, após pesquisar o mercado local, e começaram a procurar um local adequado (em frente ao mar), há três anos. O licenciamento para a obra, conta Karine, demorou um ano, devido à análise do impacto ambiental e de vizinhança – mesmo com a contratação de advogados e consultores para ajudar na empreitada.

“É muito “hard work”, como dizem aqui. Mas nos cercamos de todo o necessário para que dê certo e possamos consolidar a nossa marca”, ela explica. “Queremos abrir mais lojas, se for possível, com outros parceiros, não só na Flórida”.