Investigação revela atrocidades no Hospital Estadual do sul da Flórida

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Empresa privada que administra hospital está sendo investigada pelo governo do estado

Três mortes chocantes no South Florida State Hospital (Hospital Estadual do Sul da Flórida), administrado de forma privada, provocou uma investigação que revelou preocupações de que os empregados estavam medicando excessivamente os pacientes e não chamaram a linha para denunciar abuso do estado após um paciente morrer em uma banheira com água extremamente quente, conforme documentos obtidos pela The Associated Press.

Funcionários estaduais pediram uma revisão da instituição em resposta ao que vem ocorrendo nos últimos meses, incluindo as mortes. O estado revisou ainda casos de indivíduos que ficaram incomunicáveis e amarrados várias vezes e outros incidentes no hospital, mas o relatório ofereceu poucos detalhes sobre estes incidentes.

O hospital de 335 camas, localizado no condado de Broward, é operado pelo The GEO Group Inc., uma empresa com sede em Boca Raton e é uma das maiores operadoras privadas de presídios e centros de detenção do mundo. Muitos dos pacientes são doentes mentais e foram internados contra sua vontade porque são considerados uma ameaça a eles e aos outros. Alguns entraram porque não estão em condições de serem julgados, mas não precisam estar em una instituição de segurança máxima.

O estado tem pago à companhia mais de $500 milhões para administrar o hospital desde 1998. Foi um dos primeiros hospitais psiquiátricos civis estaduais dos Estados Unidos a ser operado completamente por uma empresa privada.

A GEO opera outras três instituições na Flórida: o Centro de Detenção Civil da Flórida em Arcadia, que oferece tratamento a delinquentes sexuais; e instituições de saúde mental em Indiantown e em Florida City para pacientes que não estão capacitados para serem julgados ou tenham sido declarados inocentes por alienação mental.

Empresa quer aumentar os negócios

A empresa, conhecida anteriormente como Wackenhut Corrections Corp., vem buscando ativamente administrar mais negócios no estado, pressionando durante os últimos dois anos o Legislativo estadual para privatizar mais de duas dezenas de prisões e acampamentos de trabalho no sul da Flórida.

Mas, até o momento, a companhia tem tido pouco sucesso. Uma tentativa inicial de privatizar os presídios do sul da Flórida em 2011 foi revogado pelos tribunais, e uma segunda tentativa não conseguiu ganhar suficientes votos no Senado.

David Wilkins, secretário do Departamento de Crianças e Famílias (DCF), disse que seu órgão está negociando novamente o contrato da GEO. Será exigido que suas instituições tenham um funcionário do DCF no local, uma prática já em vigor nas instituições administradas pelo estado.

Wilkins afirmou que a GEO tem atendido ao plano de ações corretivas, e elogiou a instituição, que conta com um ambiente mais terapêutico em comparação a outras instituições administradas pelo estado, que, segundo ele, são frias e burocráticas.

Mortes de pacientes

As mortes ocorreram em um período de dois meses.

Em agosto de 2011, Loida Espina morreu após ter sido atingida na cabeça de tal modo que atravessou uma parede.
Um empregado a encontrou e a colocou deitada. O empregado voltou logo depois e a encontrou insensível. O relatório não esclarece se alguém realmente empurrou Espina ou se foi outro paciente ou um empreado. A GEO se negou a dar detalles e não deu nenhum outro detalhe sobre sua morte.

Em junho de 2011, Luis Santana, quem estava muito medicado, foi encontrado morto em uma banheira com água extremamente quente e o rosto perdendo a pele depois que o pessoal não cuidou dele a cada 15 minutos como se exige, segundo uma inspeção de novembro do DCF. O hospital não reportou sua morte à linha direta do estado e os funcionários estaduais se preocuparam de que estavam tratando de encobrir uma falha de supervisão de seu pessoal.

Também em junho de 2011, um paciente com um histórico de tentativas de suicídio jogou-se de um edifício próximo.

James Bragman, esquizofrênico de 50 anos criado no sul da Flórida, deu entrada no hospital em fevereiro de 2011 com observações detalhadas sobre seu histórico em seu expediente e uma exigência de que pelo menos dois empregados treinados o acompanhassem quando ele saísse da instituição.

Quatro meses depois de sua chegada ao hospital, um enfermeiro e um guarda de segurança levaram Bragman a uma consulta fora da instituição. Um empregado foi buscar o veículo e o outro esperou sozinho com Bragman, o que descumpre a norma.
Bragman saiu correndo e saltou do oitavo andar do estacionamento. O empregado da segurança o agarrou pela jaqueta, mas ele escapou e Bragman se matou. Funcionários estaduais classificaram sua morte como negligência.