Jane Fonda ensina a arte de envelhecer

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Jussara Penna

Jane FondaA atriz que está no Brasil, promovendo seu livro O Melhor Momento: aproveitando ao máximo toda a sua vida, recém-lançado pela editora Paralela, e que foi também participar do VII Fórum da Longevidade, realizado pela Bradesco Seguros, em São Paulo este mês, revelou que passar dos 50 anos é muito bom.

“Não tenham medo de envelhecer”. É difícil para os jovens se imaginarem mais velhos, então eu precisava contar isso a eles. A minha experiência é que, após os 50, a vida fica melhor. As pessoas se tornam mais sábias e menos estressadas”, afirmou a estrela norte-americana em uma entrevista a jornalistas brasileiros. Para ela, o temor da idade é causado por falta de informação.

“Estamos vivendo em média, hoje, 34 anos a mais do que nossos bisavós. Pensem sobre isso. Isso é um completo segundo período de ida adulta que foi adicionado à nossa expectativa de vida”. Ela já afirmava isso no início do ano que estamos vivendo com o velho paradigma da idade como um arco, ou seja, “você nasce, atinge o auge na meia-idade e declina para a decrepitude. Idade como patologia”.

Na ocasião, ela chamou esta fase de terceiro ato, as três últimas décadas da vida: um estágio de desenvolvimento da vida com sua própria significância — tão diferente da idade madura quanto a adolescência é da infância.

Jane Fonda passou o último ano pesquisando e escrevendo sobre este assunto. E descobriu que uma metáfora mais adequada para envelhecimento é uma escadaria — a ascensão para o topo do espírito humano, trazendo-nos para sabedoria, completude e autenticidade. Concluiu que a idade é como um novo potencial.

“Acontece que a maioria das pessoas acima de 50 sente-se melhor, é menos estressada, é menos hostil, menos ansiosa. Tendemos a ver os itens comuns mais que as diferenças. Alguns dos estudos dizem até mesmo que somos mais felizes”, informou.

Venho de uma longa linhagem de depressivos. Quando me aproximava dos meus 40, assim que acordava de manhã,meus seis primeiros pensamentos eram todos negativos. E me assustei. Pensava, puxa vida, vou me tornar uma velhota mal-humorada. Mas, agora que estou, de fato, precisamente no meio de meu terceiro ato, percebo que nunca fui mais feliz. Tenho uma tremenda sensação de bem-estar. E descobri que quando você está dentro da velhice,em vez de olhar para ela do lado de fora, o medo se aquieta. Você nota, você ainda é você mesma — talvez até mais. Picasso disse uma vez: “Leva um longo tempo para se tornar jovem”, concluiu.

A atriz norte-americana deve saber perfeitamente o que está falando pois, completou 75 em 21 de dezembro e está maravilhosa para sua idade.

Jane contou que adora viajar e não revelou quanto gasta para se manter linda e em forma. “Jamais vão saber”, disse com uma gargalhada.

No entanto, admitiu ter feito plásticas, sem exageros. “Eu não sou hipócrita”. Retirei a bolsa embaixo dos olhos e a papada, mas eu não gosto de colocar algo que não é do meu corpo, como algumas mulheres fazem nos lábios e no rosto. Fica ridículo”, disse a vencedora de dois Oscars pela atuação nos filmes Klute (1971) e Amargo Regresso (1978).

Vestindo um terno branco impecável e poucas joias, ela deu seu recado tanto para os mais jovens, como para os mais velhos. O segredo, segundo ela, é não perder a curiosidade. “A gente não pode perder o brilho nos olhos e o interesse em descobrir tudo. É aí que está o prazer de viver”, disse Jane, que aconselha as pessoas a se exercitarem sempre e, principalmente, zelar pela qualidade dos alimentos que comem.